Vazamento provoca prejuízos à produção de musical sobre Paralamas do Sucesso

Depois de danos no equipamento e no cenário do espetáculo Vital — O Musical dos Paralamas, na Sala Martins Pena, a produção decide cancelar temporada em Brasília. Secec e Novacap afirmam que problema foi solucionado

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Pouco mais de três meses depois da reinauguração, a Sala Martins Pena do Teatro Nacional volta a apresentar problemas, frustrando o público e o meio cultural, que esperou quase 11 anos para que o espaço fosse reaberto a apresentações artísticas. Na semana passada, um vazamento molhou todo o tablado de madeira do palco. Um vídeo divulgado nas redes mostra diversas goteiras no local. O espetáculo Vital — O Musical dos Paralamas teve todas as sessões canceladas devido aos problemas.

De acordo com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), a causa foi uma falha em uma das bombas da caixa d’água. Na última quinta-feira, em nota, o secretário de Cultura, Claudio Abrantes, afirmou que o problema foi rapidamente resolvido e que não ocasionou impedimentos para a realização da programação. “A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional ensaiou, se apresentou e, atualmente, a montagem de outro espetáculo está sendo finalizada”, completou, na ocasião.

Porém, no dia seguinte, a produção do musical comunicou o cancelamento do espetáculo, em decorrência de problemas técnicos no local. Em entrevista ao Correio, o produtor do espetáculo, Gustavo Nunes, disse que, na última sexta-feira, durante a passagem de som no palco, a equipe foi surpreendida com um vazamento ainda maior, molhando todo o cenário e os equipamentos.

Nunes explicou que, sob o argumento de priorizar a segurança do público e da produção, as sessões dos dias 28, 29 e 30 de março foram canceladas, mas com a promessa do secretário de Cultura de que seria avaliada a possibilidade de o espetáculo ser apresentado no fim de semana, de 4 a 6 de abril. No entanto, não houve mais retorno da Secec. A própria companhia do musical optou por cancelar, definitivamente, as apresentações no Teatro Nacional. “A secretaria tinha dito, no sábado de manhã: ‘Olha, vamos fazer, fique tranquilo que a gente vai fazer na semana que vem’. E, desde então, não nos responderam mais”, relatou. 

O produtor reforçou que todos os materiais da peça estão dentro do Teatro Nacional, desde cenário e figurinos até equipamentos elétricos e de som. Segundo ele, ainda não se sabe a totalidade dos danos em decorrência da água, além de alguns refletores que foram identificados como danificados. “A gente depende de uma perícia técnica, nós contratamos um engenheiro para analisar tudo”, afirmou. Nunes adiantou que a produção entrou com medidas judiciais cabíveis e aguarda respostas do Teatro Nacional e da Secretaria de Cultura. 

Estrutura

Após a divulgação dos vídeos referentes ao vazamento, o deputado distrital Gabriel Magno (PT) protocolou um requerimento de informações à Secec, solicitando detalhes sobre os projetos hidráulicos, elétricos, de prevenção a incêndios e outros aspectos técnicos da obra. A resposta, dada pelo subsecretário do Patrimônio Cultural, Ramón Moro Rodríguez, foi que “o vídeo divulgado foi retirado de contexto, pois registrou um incidente pontual relacionado à parte hidráulica (encanamentos da caixa d’água), prontamente resolvido pela equipe técnica presente”. 

De acordo com o documento, “a obra da Sala Martins Pena foi entregue pela construtora de forma parcial, com o objetivo de realizar todos os testes necessários para o funcionamento de um equipamento cultural como o Teatro Nacional”. O ofício acrescenta: “No momento do ocorrido, engenheiros da construtora, operários e representantes da secretaria estavam no local, garantindo que qualquer intercorrência fosse imediatamente tratada, como de fato ocorreu. O fato é que, após a secagem do palco, a Orquestra Sinfônica ensaiou normalmente”.

Carlos Alberto Spies, diretor de Planejamento e Projetos da Novacap, ressaltou, em entrevista ao Correio, que o incidente não tem relação com a reforma realizada na Sala Martins Pena, mas, sim, com a parte antiga da estrutura, que não passou por melhorias. Segundo ele, o vazamento atingiu até a Sala Villa-Lobos. “O teatro é dividido em várias áreas, incluindo a Sala Villa-Lobos e, no andar superior, um espaço chamado Dercy Gonçalves, onde ficam as caixas d’água. O problema começou com uma dessas caixas, que fica exatamente acima da Sala Martins Pena. Entre terça e quarta-feira, uma boia defeituosa falhou, a caixa transbordou e a água caiu no palco. Como a sala ainda está em fase de testes e sob responsabilidade da empresa contratada para a obra, eles investigaram o problema e identificaram que a falha vinha da boia da caixa d’água. A peça foi trocada, e aparentemente tudo estava resolvido”, explicou.

No entanto, de quinta para sexta-feira, a caixa voltou a transbordar devido a um novo problema na boia, possivelmente por falha na regulagem. “Isso fez com que se acumulasse uma lâmina de quase 15cm de água na cobertura do espaço Dercy Gonçalves. Como os equipamentos já estavam montados, a água molhou parte deles”, disse.

O diretor acrescentou que a empresa responsável fez, novamente, todos os reparos necessários, incluindo a desobstrução da tubulação. “Atualmente, a sala já está pronta para uso e não há mais risco de novos vazamentos”, garantiu.

Colaborou Darcianne Diogo

*Estagiária sob  a supervisão de Malcia Afonso 

Por Ana Carolina Alves do Correio Braziliense

Foto: Cadu Ibarra/CB / Reprodução Correio Braziliense

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