Os exercícios físicos estão relacionados à melhoria do metabolismo e da função cardiovascular, mas atividades extremas podem sobrecarregar e causar o envelhecimento precoce dos glóbulos vermelhos (também conhecidos como hemácias) que transportam o oxigênio pelo corpo. É o que mostra uma pesquisa publicada na quarta-feira (18/2), na revista Blood Red Cells & Iron.
O estudo analisou 23 corredores das maratonas Martigny-Combes à Chamonix, de 40km, e a Ultra-Trail du Mont Blanc, de 171km. A pesquisa não tem o objetivo de desestimular as atividades de corrida, mas entender quais são os efeitos de ultra maratonas extremas e desenvolver estratégias para reduzir os impactos em atletas que praticam esportes de resistência. Corridas na esteira ou menores de 40km não foram analisadas.
Existem milhões de hemácias no organismo, que transportam o oxigênio pelo sangue para todas as partes do corpo. Esses glóbulos vermelhos demoram cerca de 60 segundos para fazer esse percurso vital, e são ainda mais exigidos durante as atividades físicas, com o aumento da circulação sanguínea.
Enquanto a corrida de 40km gera uma ativação temporária que pode ser gerenciada pelo metabolismo, a de 171km funciona como um teste de estresse para as células sanguíneas. Esse estresse causa oxidação de componentes e cria uma membrana rígida em torno da hemácia, o que faz com que ela perca a capacidade de se “espremer” para percorrer os vasos sanguíneos estreitos.
Esse processo de perda de função é chamado de envelhecimento precoce. Elas até tentam se “consertar” com a utilização de gorduras novas, mas o sistema não consegue atender à demanda por reparos em distâncias muito longas.
Sem capacidade de circulação, as células precisam ser descartadas pelo baço, o que gera uma queda momentânea no número de glóbulos vermelhos que circulam no sangue. Outro fenômeno observado nas corridas extremas é a produção em massa de glóbulos vermelhos, que precisam recompensar essa perda.
O estudo indica que, no momento do exercício, o número de perda de hemácias superou a produção de novas células. Embora o corpo tenha capacidade para a regeneração, os pesquisadores alertam que a prática de exercícios sem o tempo necessário para se recuperar por acarretar danos cumulativos para o organismo.
Ainda não há dados consolidados sobre o tempo necessário para que o corpo se recupere ou o impacto dessas atividades celulares a longo prazo. Os pesquisadores apontam que esse estudo é apenas um retrato do momento do exercício e que é necessário um estudo de longa duração para mensurar esses efeitos.
Por Painel da Cidadania
Fonte Correio Braziliense
Foto: DINO











