Silencioso e letal: saiba por que o câncer de pâncreas é tão agressivo

Segundo especialista, o câncer de pâncreas tem alta capacidade de invasão local e apresenta dificuldade em diagnóstico precoce e realização de cirurgia por conta da localidade do órgão

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O câncer de Pâncreas é reconhecido como uma das espécies mais agressivas da doença. Capaz de evoluir de maneira silenciosa, confunde diagnósticos concretos ao não gerar sintomas iniciais específicos. Especialistas explicam que apesar da existência de tratamento para combatê-la, a enfermidade é considerada como um desafio para o campo da medicina. 

Em entrevista ao Correio, Márcio Almeida Paes, médico oncologista clínico do grupo Oncoclínicas, ressalta que o câncer de pâncreas é considerado como uma das neoplasias (tumor) mais agressivos do campo da oncologia. A forma como cresce e não apresenta sintomas precoces são fatores responsáveis pela classificação. “Quando surgem sinais clínicos — como dor abdominal, icterícia, perda de peso ou fadiga intensa — a doença frequentemente já se encontra em estágio avançado”, explica.

As razões para a agressividade do câncer de pâncreas

Há motivos que explicam a agressividade. De acordo com o especialista, o tumor tem alta capacidade de invasão local. Também costuma se espalhar de forma precoce para outros órgãos, especialmente para fígado e peritônio, e, biologicamente, pode mostrar respostas ineficazes aos tratamentos disponíveis. A localização do órgão também é uma dificuldade. Por estar profundamente no abdômen, perto de diversos vasos sanguíneos, acabam complicando diagnósticos precoces e cirurgias curativas.

Responsável por exercer funções vitais, como a produção de enzimas digestivas e hormônios essenciais, como a insulina, por exemplo, o pâncreas pode ter partes de si retiradas, mas não pode ser completamente removido. “Tratam-se de cirurgias extensas, de alta complexidade e com riscos relevantes”, explica Paes. 

“Além disso, nem todos os pacientes são elegíveis à cirurgia, seja pela extensão da doença, seja por condições clínicas associadas. O mesmo raciocínio vale para tumores do intestino e da próstata, onde a complexidade não está apenas na retirada do órgão, mas nas repercussões funcionais e na proximidade com estruturas nobres”, completa o oncologista. 

Como é o tratamento e como se prevenir? 

Apesar da existência de tratamento, Márcio Almeida Paes explica que os cuidados dependem do estágio da doença no momento do diagnóstico. “Quando o câncer de pâncreas é identificado precocemente e é possível realizar cirurgia, essa é a principal chance de controle da doença, geralmente associada à quimioterapia antes ou depois do procedimento”, salienta. 

Em situações de casos mais avançados, o tratamento com quimioterapia sistêmica, de acordo com o oncologista, surge como alternativa à cirurgia, quando não viável. O principal objetivo da medida é controlar o avanço do câncer, aliviar sintomas e aumentar a expectativa de vida. Há, ainda, tratamentos de suporte, cuidados paliativos precoces e abordagens multidisciplinares como medidas em situações específicas. “São alternativas para melhorar a qualidade de vida do paciente”, diz o especialista. 

Ele ainda ressalta que medidas pertinentes de cuidado são a vigilância com possíveis sintomas suspeitos, assim como idas frequentes ao médico para realização de check-ups. “Apesar dos avanços recentes, o câncer de pâncreas ainda representa um grande desafio na oncologia, salientando a importância do diagnóstico precoce, da pesquisa científica e do cuidado individualizado”, reforça. 

Por Painel da Cidadania
Fonte Correio Braziliense
Foto:  Getty Images

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