Centro-Oeste registra o menor percentual de fumantes, ao lado do Norte, diz pesquisa

Levantamento do A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus revela um dado alarmante: 19% dos jovens de 16 a 24 anos admitem fumar com frequência, incluindo cigarro comum e produtos eletrônicos

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O Centro-Oeste e o Norte são as regiões brasileiras com a menor proporção de fumantes, segundo uma pesquisa nacional realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus. O levantamento mostra que 13% dos moradores das duas regiões se declaram tabagistas, contra 17% na média brasileira, mesmo índice registrado no Nordeste. No Sudeste e no Sul, o cigarro é consumido com frequência por 19% e 22% dos entrevistados, respectivamente.

Um dado considerado preocupante por Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C. Camargo, é que quase um em cada cinco brasileiros de 16 a 24 anos é fumante, considerando tanto cigarros tradicionais quanto eletrônicos. O índice de 19% supera o registrado entre a faixa dos 25 aos 40 anos, grupo que apresentou a menor prevalência, de 15%. 

“A primeira coisa é lembrar que o tabagismo é a principal causa de morte evitável no mundo. Cerca de 7 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças relacionadas ao tabagismo”, comenta Freitas. “O dado mais alarmante para a população jovem, adolescente e adulta jovem é que essas pessoas estão entrando ou acabaram de entrar nessa dependência química do tabaco ou da nicotina relacionada aos produtos eletrônicos”, diz. 

Educação 

Para o médico, o resultado aponta para a necessidade de políticas educativas. “Podemos desenvolver ações de comunicação e informação mais voltadas para esse público, além de ações direcionadas às famílias, para que elas monitorem melhor seus adolescentes”, diz. Helano Freitas ressalta que, no caso dos produtos eletrônicos, há facilidade de se esconder o hábito em casa. “O cheiro é menos perceptível e existem aromas que não remetem ao cheiro típico do cigarro. Muitas vezes, as famílias nem sabem que o jovem está fumando, às vezes há mais de um ano.”

O levantamento confirma que homens continuam fumando mais do que as mulheres: 21% dos entrevistados do sexo masculino disseram ser tabagistas, contra 13% registrado no sexo feminino. Entre pessoas que estudaram somente até o ensino fundamental, a taxa chega a 21%, enquanto é de 16% entre aquelas com ensino médio e cai para 12% entre quem tem ensino superior. 

Outro alerta da pesquisa é que, embora dois terços dos brasileiros nunca tenham fumado, milhões de pessoas continuam expostas involuntariamente à fumaça. A exposição passiva foi relatada por 33% dos brasileiros, percentual de pessoas que afirmaram conviver frequentemente com pessoas que fumam perto delas, em casa ou no trabalho. No Centro-Oeste e no Norte, o índice foi menor: 24%. 

Apesar disso, Helano Freitas ressalta que moradores das duas regiões estão sujeitos a um tipo perigoso de fumaça, associado às queimadas características do segundo semestre do ano. “Isso também gera um dado alarmante em relação à saúde respiratória, porque o índice de poluição medido por partículas PM 2,5 sobe a níveis muito mais altos do que os recomendados pela Organização Mundial da Saúde como seguros.” Enquanto São Paulo chega a registrar 20 a 30 PPM de material particulado na atmosfera, no Norte e em algumas áreas do Centro-Oeste, o índice chega a 400 PPM no período das queimadas, exemplifica o médico.