O deputado distrital e candidato à reeleição Ricardo Vale (PT) afirmou que, em um eventual mandato, sua prioridade será a saúde pública. Em entrevista ao Podcast do Correio nesta terça-feira (8/9), ele disse ser necessário focar em políticas de prevenção para desafogar o sistema de saúde. O vice-presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) também defendeu a importância de valorizar os professores e fazer mais concursos para melhorar a educação no DF. Às jornalistas Mariana Niederauer e Mila Ferreira, o político falou sobre o Banco de Brasília (BRB) e avaliou ser essencial que a governadora Celina Leão (PP) insista com o governo federal para encontrar saídas para a questão. Confira, a seguir, os principais pontos.
Qual foi o foco de sua legislatura na CLDF?
Acabou sendo um mandato de todas as causas. Trabalhamos muito em defesa dos feirantes, dos ambulantes, das mulheres e dos servidores públicos, principalmente na área de educação, com destinação de muitos recursos. Ajudamos a cultura e o esporte do DF. Foi um mandato eclético. Gosto de atuar em defesa da cultura e da educação. Talvez essas tenham sido as áreas para as quais eu mais destinei recursos. Também não deixei de trabalhar na questão da pauta animal. Foi uma pauta que eu abracei com o projeto de lei em defesa dos pets. Play Video
Caso seja reeleito, o que pretende fazer para ajudar a educação?
Com o Programa de Descentralização Administrativa e Financeira do Distrito Federal (Pdaf), os deputados conseguem destinar recursos diretamente para as escolas. Mudamos as escolas públicas do DF. Elas não deixam nada a desejar do ponto de vista da estrutura. Se não me engano, consegui destinar recursos para manutenção de 200 escolas. Uma preocupação grande é a valorização dos profissionais. Os professores estão ganhando muito pouco. A nossa grande meta é valorizar os professores e fazer mais concursos, porque o deficit ainda é grande.
Por que algumas leis, mesmo depois de aprovadas e sancionadas na Câmara, demoram a entrar em vigor?
Na minha avaliação, falta vontade política de resolver determinadas situações. Vou dar um exemplo. Fizemos um projeto de lei na Câmara Legislativa, em 2023, sancionado e regulamentado pelo Governo do Distrito Federal, que estabelecia que, no DF, quem batesse em uma mulher pagaria de R$ 500 a R$ 500 mil, dependendo do poder aquisitivo do agressor. Estamos em 2026, e nenhum agressor de mulher foi punido pelo bolso ainda. Aprovamos outra lei que torna obrigatório o debate da valorização das mulheres e do combate ao machismo nas escolas públicas do DF. É na escola que você muda a cultura. Foi aprovada e sancionada, mas só no governo Ibaneis, em 2022 ou 2023, foi regulamentada. Cadê esse tema ser debatido nas escolas? Concretamente, o Estado falha muito. É preciso que o futuro governador do DF, que eu espero que seja Leandro Grass (PT), tenha mais responsabilidade com as leis aprovadas aqui.
Como o senhor enxerga a situação do Banco de Brasília (BRB)?
Achei lamentável tudo o que aconteceu. Desde o início, há dois anos, quando começou essa história de o BRB comprar o Banco Master, ficamos em alerta. Nós, deputados, principalmente os de oposição, cobrávamos muito essa negociação. Infelizmente, a Câmara errou em vários episódios. (…) É difícil porque não há transparência até hoje. Nem os órgãos de fiscalização, nem o Tribunal de Contas, nem o Ministério Público, nem a Câmara Legislativa têm acesso a nada. Na minha avaliação, o que está se tentando é ganhar tempo para, depois das eleições, ver o que vai ser feito.
Considera que se houver informações, o governo federal vai ter boa vontade para ajudar e manter o BRB?
Tudo o que o GDF pediu, o governo Lula fez. O Banco Central e o ministro da Economia deram aval para fazer o empréstimo. Quem não está querendo emprestar esse recurso são os bancos privados. Banco quer saber de lucro. Como ele pode emprestar dinheiro se você não consegue nem mostrar a sua capacidade de pagamento, se você não consegue mostrar como estão suas contas? Celina tenta jogar para a população que o governo federal não está ajudando. Isso não é verdade. A situação é tão séria que a governadora tinha que procurar o presidente Lula para valer e buscar saídas.
A governadora chegou a pedir audiência com o presidente Lula e disse que não foi aceita. O senhor acha que ela precisa continuar nessa tentativa? A saída do empréstimo pela intermediação do Supremo Tribunal Federal (STF) causou um tensionamento maior?
Eu não sei. Isso pode ter acontecido. Se eu fosse Celina, esperaria o presidente no Palácio do Planalto. Ficaria até ele me receber. Falar que eu pedi e não me recebeu é muito pouco.
O que o senhor acredita ser prioridade para o DF nos próximos anos? Caso seja reeleito, em que vai focar?
Diante da gravidade do sofrimento da população, vou jogar todas as nossas fichas na melhoria da saúde pública. Pessoas conhecidas minhas estão há três, quatro meses sem conseguir uma consulta. Tem gente há três, quatro anos está esperando uma cirurgia. É preciso rever a política de saúde. Temos o Iges-DF gastando milhões, e a própria Secretaria de Saúde com um orçamento gigantesco. O que está errado? Parece haver uma indústria da doença. Não existem mais campanhas de prevenção. Não vejo nenhum incentivo aos idosos para praticar esportes ou procurar uma atividade cultural. Parece que estamos esperando as pessoas adoecerem para essas parcerias pública e privada ganharem dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS). O próximo governo precisa trabalhar com política de prevenção. Evitar que a pessoa fique doente é muito mais barato do que gastar com a doença.
* Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates
Fonte Correio Braziliense
Foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press











