A médica e diretora de Planejamento do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos e presidente de honra da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Angélica Nogueira, aponta que o grande desafio do Brasil para a eliminação do câncer de colo de útero ultrapassa a ciência. Para ela, é um desafio político, referindo-se às políticas públicas de acesso e informação para a população.
Angélica foi a convidada do CB Saúde — parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília — desta quinta-feira (10/9). Na bancada, as jornalistas Sibele Negromonte e Carmen Souza levantaram questões sobre a importância da vacinação e o diagnóstico precoce para a prevenção e o tratamento.
Ao comparar países como Reino Unido e Austrália, que praticamente erradicaram o câncer de colo de útero, com o Brasil, que possui alta taxa de diagnósticos e uma mortalidade de 19 óbitos por dia, a especialista explicou que a imunização contra o HPV na faixa etária de 9 a 14 anos é essencial para o não desenvolvimento da doença.
Em 2014, a vacinação foi implementada pelo SUS para meninas de 9 a 11 anos, que eram imunizadas nas escolas e, eventualmente, também os meninos. À época, de acordo com a especialista, a taxa de cobertura foi de mais de 90%. Quando o Brasil tirou a vacinação da escola, houve uma queda muito significativa, afirmou a médica. Enquanto isso, Europa e Oceânia focaram na imunização escolar, o que reduziu a incidência da doença.
A médica explicou que os cânceres ginecológicos, em especial, o de colo de útero, são extremamente preveníveis e com uma alta taxa de cura. O que dificulta o processo é o acesso das pessoas à informação e a exames preventivos. “Acesso é sempre um problema, pois é uma doença que acomete principalmente pacientes de baixa renda, com maior vulnerabilidade. A incorporação terapêutica, globalmente, é aquém do desejado”, destacou.
Fonte Correio Braziliense
Foto: CARLOS VIEIRA











