Os riscos de realizar procedimentos estéticos em estabelecimentos não habilitados

No DF, uma professora morreu após receber uma injeção para queda de cabelo em um estabelecimento clandestino em Ceilândia. Vigilância Sanitária interditou este ano 125 salões e clínicas de estética na capital que operavam em desacordo com a legislação

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Com a crescente procura dos brasileiros por intervenções estéticas, o mercado tenta acompanhar o ritmo. De acordo com a Vigilância Sanitária do Distrito Federal (Divisa), a quantidade de estabelecimentos que oferecem procedimentos de alto risco acompanha essa ascensão. No entanto, nem todos os espaços estão autorizados a realizar procedimentos invasivos.

Este ano, a Divisa interditou 125 salões e clínicas de estética no DF que operavam em desacordo com as normas sanitárias e apresentavam riscos à população. No mesmo período em 2025, foram 129, enquanto, em 2024, dezoito foram interditados, parcialmente ou totalmente. A quantidade de reclamações também chama a atenção. Segundo o órgão, a Ouvidoria recebeu 149 manifestações e denúncias de irregularidades em 2026. Em 2025, foram 149. Em 2024, houve o registro de 81 ocorrências. 

Segundo a diretora da Divisa, Márcia Olivé, procedimentos invasivos — aqueles que rompem a barreira da pele — só devem ser realizados em “estabelecimentos classificados como de alto risco, que possuem vistoria prévia da Vigilância Sanitária”, explica. Critérios como a habilitação do profissional de saúde, o projeto básico de arquitetura e o cumprimento de normas de biossegurança determinam quais serviços podem ser oferecidos no estabelecimento. Entre eles, estão agulhamentos, aplicações de enzimas, toxina botulínica e preenchimentos.

O avanço da oferta desses procedimentos se torna ainda mais preocupante diante da morte da professora Lidiane Gomes de Souza Alves, de 50 anos. Em um salão de beleza localizado em Ceilândia, ela recebeu uma injeção no glúteo, sob a promessa de que a substância combateria a queda capilar e fortaleceria os fios. Ela sofreu um choque anafilático horas depois e não resistiu.

O local operava clandestinamente, sem alvará sanitário, e oferecia o serviço injetável por meio de uma funcionária que não tem habilitação em biomedicina estética.

Márcia Olivé reforça que salões de beleza não têm permissão para realizar procedimentos estéticos invasivos. “Esse tipo de estabelecimento somente pode exercer atividades de risco médio. Tinturas, cortes, manicures e pedicures, entre outros”, exemplifica. “Medicamentos para queda de cabelo e fortalecimento de unha também não podem ser ofertados em salões de beleza. Ao encontrar alguma irregularidade, a população pode acionar a Vigilância Sanitária”, orienta a diretora da Divisa.

Onde denunciar

A Vigilância Sanitária orienta que denúncias de irregularidades ou reclamações podem ser feitas por meio do telefone 162. O atendimento é das 7h às 21h de segunda a sexta-feira, e aos sábados, domingos e feriados das 8h às 18h. A ligação é gratuita e pode ser feita de telefone fixo ou celular.

Perigo para a saúde

Quando administrados de maneira inadequada, procedimentos estéticos invasivos podem provocar infecções locais. Segundo a dermatologista Paola Canabrava, os efeitos podem surgir logo após a aplicação ou semanas ou meses depois.

Os riscos variam de reações alérgicas, provocadas pela resposta do organismo ao produto, até necrose do tecido. “Dependendo do injetável, como produtos à base de ácido hialurônico, pode acontecer uma oclusão de uma artéria ou de uma veia, e isso causar necrose e morte do tecido no local”, descreve a especialista do Hospital Santa Lúcia Norte (HSLN).

Em casos raros, a pessoa pode perder a visão. De acordo com Paola, preenchimentos realizados no rosto podem provocar cegueira, caso o produto atinja e cause a oclusão de determinados vasos sanguíneos.

Entre os sinais de alerta após um procedimento estético estão dores intensas que aumentam gradativamente, febre e inchaços que pioram com o passar do tempo. A dermatologista também cita o surgimento de lesões, bolhas e pus como sinais importantes que indicam a necessidade de procurar atendimento médico. “Em casos de aparecimento de colorações pálidas na pele, que se tornam arroxeadas, é preciso procurar um médico”, alerta Paola.

Segundo a especialista, o ideal é verificar o registro do profissional que realizará o procedimento em sites oficiais, conferir o alvará de funcionamento do estabelecimento e se há registros de ocorrências no local. Além disso, verificar o lote do produto, checar a validade e confirmar se ele está lacrado.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Maurenilson Freire