PCDF faz ação conjunta com a Interpol contra “Lobo de Wall Street”

Segundo o delegado da operação, já foram mapeadas 945 pessoas diferentes que caíram no golpe, e algumas delas chegaram a perder R$ 1,5 milhão

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Na madrugada desta terça-feira (07/03), a 9ª Delegacia de Polícia, do Lago Norte, com apoio operacional da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), cumpriu em Lisboa, Portugal, seis mandados de prisão preventiva com bloqueio de contas bancárias, sequestro de criptoativos e derrubada de websites.

O alvo da ação é uma organização criminosa transnacional com sede em Portugal, que tinha como objetivo aplicar golpes no Brasil.

O autor principal era um tcheco que morava em Lisboa e monstou um escritório de publicidade em Portugal, mas usava o local apenas de fachada. A verdadeira atividade era vender falsos investimentos na bolsa de valores por meio de empresas fantasmas de corretagem.

Centenas de brasileiros eram empregados nas quatro sedes da empresa, em sua maioria, de forma ilegal. Como o grupo buscava vítimas apenas no Brasil, o requisito era de que as pessoas falassem português fluente.

A função dos trabalhadores era ligar para o Brasil oferecendo opções de investimento. Diversos argumentos eram usados para convencer as vítimas e entrar no mercado de valores e fazer aplicações com objetivo de gerar altas rentabilidades. Além disso, para não haver suspeita de fraude, os sites da empresa eram bem montados.

Ligações

Para conseguir vítimas sem levantar grandes suspeitas, os criminosos usavam aplicativos que mascaravam os números internacionais. E foi aí que a Polícia Civil do Distrito Federal entrou na jogada: descobriram que, de Portugal, estavam usando o DDD (61), do DF, para ligar para as pessoas no Brasil.

Usando o mesmo aplicativo, a PCDF simulou números portugueses para fazer com que funcionários da empresa atendessem às ligações, então, eram intimados a prestar esclarecimentos por meio de videoconferência.

Comprovada a fraude, a PCDF solicitou a emissão de um mandado de prisão à Interpol. Todas as contas bancárias dos envolvidos em território nacional, bem como em Exchanges internacionais de criptomoedas, foram congeladas. Os criminosos foram indiciados em diversas imputações de fraude eletrônica, organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas com penas somadas em abstrato que ultrapassam os 50 anos.

O golpe

Diferente do que era prometido, as vítimas investiam e sempre acabavam perdendo tudo. Depois, eram incentivados a fazer novos investimentos buscando reverter o prejuízo, novamente sem sucesso.

Quando as vítimas já não tinham mais nenhum centavo para investir, a empresa cortava o contato telefônico e sumia.

Até o momento, segundo o delegado da operação, já foram mapeadas 945 pessoas diferentes que caíram no golpe, e algumas delas chegaram a perder R$ 1,5 milhão.

O nome da operação foi dado porque a figura de Jordan Belfort (O Lobo de Wall Street) era venerada. Em festas da empresa havia premiações aos melhores “vendedores” e grande ostentação de riqueza. Nos grupos de WhatsApp da empresa os “gerentes” incentivavam os “vendedores” a ver o filme protagonizado por Leonardo Di Caprio e eram sistematicamente induzidos ao mesmo comportamento. O lema na empresa era: “Pensem em vocês e em suas famílias, esqueçam as vítimas”.

Por Camila Bairros do Jornal de Brasília

Foto: PCDF / Reprodução Jornal de Brasília

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