Produtores trocam conhecimento sobre fungicultura no DF

Com o crescimento do cultivo de cogumelos na capital, pequenos produtores rurais recebem a ajuda dos grandes e da Emater

48

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) promoveu um encontro, nesta semana, entre grandes e pequenos produtores de cogumelos para troca de conhecimentos sobre a fungicultura. Os produtores do PAD-DF, que estão no projeto de cultivo de plantas medicinais da Emater, foram até a propriedade do fungicultor Jansen Barreira Junior, localizada no Lago Oeste.

O encontro iniciou com uma conversa, em que os produtores tiraram dúvidas sobre a plantação de cogumelos, abordando temas como o processo de plantio, compostagem, tipos de composto, correção de umidade, pasteurização (processo de esterilização de alimentos) e colheita. Depois, os participantes visitaram a chácara de Jansen e viram, na prática, o que tinham acabado de ouvir.

Jansen cultiva cogumelos há cinco anos. Ele optou pelo fungo quando teve o primeiro contato com a produção de shiitake. Em 2018, abandonou a publicidade e colocou o sonho em prática. “Eu me encontrei aqui, amo o que eu faço. Não é fácil produzir cogumelo, exige muita dedicação, muito trabalho. Mas, fazendo uma coisa que você gosta, o esforço se torna um prazer”, declara o produtor.

Produção e espécies de cogumelos

Dados de 2022 da Emater apontam 25 produtores de cogumelos no DF, que totalizam uma produção de mais de 58 toneladas do alimento. O valor bruto da produção de cogumelos nas propriedades movimenta mais de R$ 2 milhões.

Jansen faz, além do composto, as espécies de cogumelo shimeji e o agaricus blazei, conhecido como cogumelo do sol. O último é produzido duas vezes por ano, por questões de clima e adaptação.“Anteriormente eu só produzia composto e vendia para os produtores da região e do Entorno do DF. Atualmente eu produzo meu próprio cogumelo”, conta.

As duas safras de blazei do ano passado renderam aproximadamente 300 kg desidratados, que equivalem a três toneladas do cogumelo fresco. Já o shimeji, em 2023, está com uma produção mensal na faixa de 500 kg. A meta do produtor é chegar a três toneladas por mês, com a estufa e o sistema de umidificação prontos.

Jansen participa do projeto de crédito feito pela Emater-DF e, por meio dele, já instalou energia solar e estufa na propriedade onde ele cultiva os cogumelos. Para ele, a Emater é extremamente importante e foi de uma grande ajuda para conseguir uma linha de crédito. “Independentemente dessa linha de crédito, eu sempre tive um apoio da Emater para conseguir os insumos. Toda vez que eu preciso de um apoio aqui, eu recorro à Emater Sobradinho”, ressalta.

“A gente tem histórias de produtores que vieram conhecer a atividade e já estão recebendo outros produtores. Os produtores de cogumelo têm crescido e mais mercado está sendo aberto, principalmente em feiras orgânicas”Clarissa Campos Ferreira, engenheira agrônoma e técnica da Emater-DF

De acordo com a engenheira agrônoma e técnica da Emater-DF, Clarissa Campos Ferreira, o incentivo com crédito rural é para que o produtor possa se manter em atividade após o investimento inicial. “A gente tem histórias de produtores que vieram conhecer a atividade e já estão recebendo outros produtores. Os produtores de cogumelo têm crescido e mais mercado está sendo aberto, principalmente em feiras orgânicas”, afirma.

Clarissa acrescenta que o número de consumidores também tem aumentado. Além do nicho de consumidores veganos e vegetarianos que já utilizam o cogumelo com bastante frequência, a demanda dos restaurantes tem aumentado.

“Essa união dos produtores e essas conversas são muito benéficas para eles mesmos. Não tem essa necessidade de fechar o conhecimento, não vão ser concorrentes. Se unindo, eles conseguem comprar insumos muito mais baratos, falta um produto e ele (o agricultor) entra em contato com outro para não deixar um cliente na mão”, explica a engenheira.

Compartilhando conhecimento

Para Jansen, já é uma rotina receber pessoas na propriedade. “As portas da chácara sempre estão abertas, tanto para curiosos quanto para quem quer realmente entrar no mercado da cultura. Acho que o conhecimento que eu adquiri até hoje na fungicultura tem que ser disseminado. Isso é bom, traz um retorno para a gente. O mercado de fungicultura precisa ser expandido. Então, eu faço essa pequena ajuda abrindo minhas estufas, abrindo a propriedade para quem está querendo iniciar”, reforça o produtor.

Vany Xavier Duarte, 66 anos, entrou na vida de produtora rural há três anos e está aprendendo sobre o cultivo de cogumelos. Com uma área de três hectares no PAD-DF, ela tem interesse no cultivo porque a família inteira é apaixonada por cogumelos, principalmente os netos dela.

“Eu tenho a obrigação moral de produzir cogumelos para os meus netos, para deixar um legado para eles e eu gosto muito. Lá em casa a gente está produzindo basicamente para o consumo no momento. Mas a gente estava com a ideia de ampliar e fazer com que a propriedade possa se custear, principalmente por meio do cultivo de cogumelos, que é uma paixão familiar”, conta Vany.

Ela reforça o apoio da Emater, além dos benefícios de fazer essa união entre quem já tem os conhecimentos e os que estão aprendendo. “Você pensa que não, mas sempre se aprende com uma ou outra pessoa. A área rural é muito difícil, a gente enfrenta inúmeros problemas. Quando a gente vai à feira pegar um produto orgânico, chiquérrimo, a gente não tem a menor ideia do que o produtor rural passa para combater as pragas, os cuidados, a higienização… Nunca mais pedi desconto numa feira de produtos, principalmente orgânicos”, diz a produtora.

Por Agência Brasília

Foto: Joel Rodrigues‌/ Agência Brasília / Reprodução Agência Brasília

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui