1,5 milhão de gatos e cachorros estão abandonados nas ruas do DF

Projetos que atuam no resgate de cães e gatos trabalham por conta própria e dependem de doações para se manter

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Com a chegada do período de férias e muitas pessoas viajando, o número de animais de estimação que são ficam abandonados aumenta. Dezembro Verde busca uma conscientização contra esse descaso. A Confederação Brasileira de Proteção Animal (CBPA) calcula que, no Distrito Federal, há cerca de 1 milhão e meio de cães e gatos nas ruas. Para dar um futuro digno a eles, acolhedores atuam por conta própria. Sem ajuda governamental, dependem de doações. Os bichinhos resgatados são postos para adoção. E há um apelo comum a todos os acolhedores: adote com responsabilidade.

“A adoção de animais de estimação ajuda seus tutores de diversas maneiras, podendo reduzir estresse e ansiedade, proporcionando uma sensação de calma e tranquilidade. Pode ser uma opção válida para passar por momentos de fragilidade emocional, como a perda de um ente querido”, explica Juliana Gebrim, psicóloga da Universidade de Brasília (UnB) e neuropsicóloga pelo Instituto de Psicologia Aplicada e Formação de Portugal (Ipaf). A especialista também fala da importância para as crianças. “Além de proporcionar companhia, os pets podem ensinar responsabilidade, empatia e até mesmo ajuda no desenvolvimento social e emocional dos pequenos”, destaca.

Gabriela Maia, 36 anos, desenvolve uma ação de acolhimento de animais abandonados há mais de uma década. O projeto Resgatos Pingados é mantido com doações. Tudo começou quando estava dirigindo e viu uma gatinha quase sendo atropelada. “Fiz o resgate e levei ao veterinário, pois ela estava com a pata machucada. Consegui doá-la para um amigo. Pude ver a felicidade dela durante os 13 anos que viveu”, relembra.

A acolhedora fazia isso de forma esporádica, mas, desde 2021, o fluxo aumentou bastante. “Não consigo pegar um número muito grande de bichos, porque não tenho muito espaço onde moro, no Lago Norte. Quando resgato cachorros, tenho que colocá-los em lares temporários. No momento, estou com três para adoção. Gasto em torno de R$ 2 mil por mês para mantê-los. Com os gatos, são mais R$ 400. Boa parte do meu salário eu dedico a eles”, relata. Para Gabriela, é muito gratificante salvar a vida de um ser, mesmo dando muito trabalho. “Às vezes, acho que consigo resolver tudo. O final do processo é muito bonito. Mas o desgaste emocional é grande”, conclui.

Situação de rua

A empresária e protetora de animais Ana Carolina Santana, 34, comenta que começou a acolher gatinhos de rua em 2019, após adotar um casal. No Setor de Clubes Sul, onde fazia os treinamentos, foi descoberta uma colônia com 17 felinos. “Castramos os adultos e conseguimos adoção para os filhotes. Durante a pandemia, intensificamos os trabalhos. O pessoal do local autorizou nossa entrada para continuarmos os serviços. Se não fizéssemos, com certeza, eles teriam morrido. Todos conseguiram um lar”, celebra. “Não temos um número preciso, mas já passaram de 200 os bichinhos que tiramos da rua”, assinala.

No Clube de Engenharia de Brasília, há um ponto para alimentação de animais em situação de rua, sob a responsabilidade de Ana Carolina. “Capturamos alguns e encontramos tutores para a maioria. A casa da minha mãe já teve mais de 40 gatos. Somente na rua, alimentamos cerca de 50”, descreve.

O projeto Resgato foi divulgado nas redes sociais e, assim, outras pessoas apoiaram a missão. “Cada um ajuda com o que pode. Realizamos rifas para levantar dinheiro, pois os custos para manter tudo funcionando são de, no mínimo, R$ 3 mil por mês”, diz. Para a protetora, um animal abandonado não passa despercebido. “O que acaba comigo é saber que não posso ajudar a todos. Já resgatei alguns que tinha certeza que não iriam sobreviver, mas queria entregar os últimos melhores dias da vida deles. Não mereciam sair deste mundo sem conhecer o que é cuidado e amor”, reflete.

Socorro

A organização não governamental Abrigo Flora e Fauna, fundada em 2005, passa por sérios problemas para se manter. Necessita de nove toneladas de ração para os cães e de três para os felinos. O presidente da ONG, Wellington Fabiano Soares, 36, informa que, além disso, não tem mais espaço para acolhimento. “Temos em torno de mil animais. O número é flutuante, pois tem a entrada e a saída. Não conseguimos quitar nossas dívidas. Todos os meses, fechamos no vermelho. Somente para clínicas veterinárias, o abrigo deve cerca de R$ 70 mil”, lamenta.

Aos domingos, das 13h às 17h, o local está aberto para visitas e adoções. No decorrer do ano, são realizadas feiras de adoção. O interessado em ser um tutor precisa ter mais de 21 anos, endereço fixo em Brasília e apresentar comprovante de renda. Ao fazer a adoção, a pessoa assina um termo de responsabilidade, por meio do qual, no caso de filhote, compromete-se a castrá-lo quando completar seis meses. Se for um animal adulto, já é entregue castrado pela ONG.

Família

Luiza Zago, 31, adotou dois bichanos do projeto Resgato, da Ana Carolina. “A Nena foi meu primeiro pet, tinha medo de não amá-la da forma correta e não tinha noção de como eu deveria cuidar. O intuito foi de resgatá-la, mas na verdade, eu fui resgatada. Foi tanto amor e carinho que, logo depois, peguei outro para fazer companhia a ela. Viraram membros muito importantes da família. Fico com dó dos outros que estão em situação de rua”, diz.

A tutora teve que adaptar o apartamento aos novos moradores. “Comprei caixa de areia e arranhadores. Tem momentos em que a empolgação toma conta e vamos adquirindo várias outras coisas. Deram bastante vida à minha residência”, comemora.

Como ajudar

As informações sobre os projetos estão disponíveis no Instagram

Abrigo Flora e Fauna

@abrigofloraefauna

Resgato

@projetoresgato

Resgatos Pingados

@resgatos.pingatos

*Estagiário sob a supervisão de Malcia Afonso

Por Luis Fellype Rodrigues do Correio Braziliense 

Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press / Reprodução Correio Braziliense 

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