Depois de um dia inteiro, muita gente só quer deitar na cama e descansar. O que poucos imaginam é que, enquanto dormimos, nosso corpo deixa para trás suor, células mortas da pele, oleosidade, cabelos e até resíduos de produtos usados ao longo do dia. Quando os lençois passam semanas sem serem trocados, esse material se acumula e transforma a cama em um ambiente favorável para ácaros, fungos e bactérias e o resultado pode aparecer diretamente na pele.
Segundo o dermatologista Wesley Ferreira, da Clínica Singular e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a roupa de cama funciona como um depósito de tudo o que o corpo libera durante o sono. “O lençol se torna, ao longo dos dias, um repositório de suor, células mortas, sebo, resíduos de cosméticos e cabelos. Esse ambiente quente e úmido é ideal para a proliferação de ácaros, fungos e bactérias”, explica.
Os ácaros são um dos principais problemas. Eles se alimentam justamente das células mortas que se desprendem naturalmente da pele e podem desencadear reações alérgicas, como coceira, vermelhidão e placas na pele. Em pessoas que já têm predisposição, esse contato constante pode piorar quadros de dermatite atópica e dermatite de contato.
A falta de higiene na roupa de cama também pode alterar o equilíbrio natural da pele. Esse desequilíbrio favorece o agravamento de problemas como acne, rosácea e dermatite seborreica. Embora esses fatores não sejam a única causa dessas doenças, eles podem contribuir para crises mais frequentes e difíceis de controlar.
Alguns sinais podem indicar que está na hora de trocar os lençóis: coceira durante a noite, aumento da acne, vermelhidão, descamação da pele e até uma queda de cabelo mais intensa podem estar relacionados ao ambiente onde a pessoa dorme. Wesley destaca que “o corpo dá sinais”. Segundo ele, “o surgimento ou piora de dermatites, o agravamento da rosácea, o aumento das lesões de acne e a coceira noturna podem indicar que algo no ambiente está contribuindo para o problema”.
O especialista lembra ainda que uma cama limpa também influencia a qualidade do sono. Dormir em um ambiente inadequado pode prejudicar o descanso e afetar diretamente a saúde da pele. “É durante o sono que acontecem processos importantes de regeneração celular. Quando o descanso é ruim, isso também se reflete na pele”, afirma.
Uma dúvida comum é se a fronha realmente pode piorar a acne. A resposta é sim. O contato repetido do rosto com um tecido que acumulou suor, oleosidade e micro-organismos favorece a inflamação da pele e pode contribuir para a obstrução dos poros. Além disso, o atrito constante com a fronha pode irritar pequenas lesões e facilitar a disseminação da bactéria cutibacterium acnes, associada ao desenvolvimento da acne.
Quem já tem pele sensível precisa de ainda mais atenção. Pessoas com dermatite apresentam uma barreira de proteção da pele mais fragilizada e ficam mais expostas aos agentes presentes na roupa de cama. O dermatologista explica que essas peles perdem água com mais facilidade e também absorvem substâncias externas de forma mais intensa. “Para essas pessoas, trocar os lençóis com frequência e utilizar um sabão hipoalergênico não é apenas uma recomendação estética. É uma conduta terapêutica”, ressalta.
Os cuidados devem ser redobrados quando cães e gatos costumam dormir na cama. Os pelos dos animais carregam alérgenos, além de fungos, bactérias e outros microrganismos, principalmente quando eles têm acesso à rua. Nesses casos, o dermatologista recomenda que os lençóis sejam trocados a cada três dias para reduzir os riscos de irritações e alergias.
O especialista faz ainda um alerta para quem usa minoxidil no tratamento da queda de cabelo. Segundo ele, o medicamento pode representar um risco para cães e gatos de pequeno porte. “A absorção do produto pelo contato com o lençol ou com a pele de quem está usando pode ser suficiente para causar intoxicação grave nesses animais.” Por isso, a orientação é evitar que os pets tenham contato com a roupa de cama até que o produto tenha sido completamente absorvido pela pele.
A recomendação é que os lençois sejam trocados, em geral, uma vez por semana. Em períodos de calor, quando há maior produção de suor, ou para pessoas com alergias, pele sensível ou animais de estimação na cama, esse intervalo pode ser ainda menor, variando de acordo com a rotina de cada pessoa.
*Estagiária sob supervisão de Rafaela Soares
Fonte Correio Braziliense
Foto: Magnific










