Dora Gomes, vice de Grass, destaca importância da educação inclusiva

Candidata a vice na chapa de Leandro Grass (PT) ao GDF, a empresária e ativista social Dora Gomes (PV) destaca a importância da educação inclusiva, além de ressaltar o protagonismo das empreendedoras negras e o combate ao racismo estrutural

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A educação integral com qualidade, o diálogo com a população e a união dos partidos de esquerda no Distrito Federal foram alguns dos temas debatidos pela candidata a vice-governadora da chapa do Leandro Grass (PT), Dora Gomes, do Partido Verde (PV). Durante sabatina no CB.Poder — programa do Correio Braziliense em parceria com a TV Brasília — desta terça-feira (18/8), a empresária, ativista social e professora comentou que consegue contribuir mais em um cargo executivo do que em um cargo legislativo. Aos jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Ana Maria Campos, afirmou que sua atuação contará com a experiência na educação e no feminismo empreendedor para permitir que mais mulheres e mulheres negras ocupem espaços de poder.

A candidata comentou que, apesar de ter recusado outros convites para concorrer às eleições como deputada distrital, mudou de ideia quando foi convidada para ser vice-governadora de Leandro Grass. “Eu admiro muito o Leandro. Quando recebi o convite, parei para pensar e vi que, tanto a admiração que tenho por ele como  a possibilidade de um cargo executivo viraram a chave para que aceitasse participar (da chapa)”, explicou.

A candidata afirmou que alinhou com Grass sua atuação como vice-governadora. Segundo Dora, ela não servirá apenas como uma substituta do governador. “Eu carrego um perfil de muita execução, de análise e planejamento. Seria impossível estar em um cargo como esse (vice-governadoria) para só observar as coisas acontecendo e para substituir o governador”, pontuou. Play Video

Ela afirmou que pretende atuar de forma ativa, estabelecendo diálogos com diversas esferas da sociedade. “Eu posso ter essa conversa com a sociedade civil, com o setor produtivo do DF e com o empresariado de Brasília”, disse. Além disso, as conversas da vice-governadora seriam feitas com o governo federal, com foco na justiça social. “É importante esse contato com o governo federal para o GDF não ficar tão apartado do jeito que se encontra hoje”, acrescentou. Sobre projetos de justiça social, Dora afirmou que “espera contribuir para que coisas aconteçam de forma efetiva para a população”. 

Ocupação feminina

Sobre a ocupação de espaços de poder por mulheres, a candidata afirmou que há pontos de partida diferentes no DF. “É importante colocar esse recorte (mulheres e mulheres negras) porque há mundos diferentes, não podemos tratar o desigual como igual. Tenho muita preocupação sobre esse tema”, disse. 

Durante a entrevista, Dora avaliou que a ocupação dos espaços de poder não pode ser pautada apenas por representatividade, e sim, fazer parte de toda uma transformação na sociedade. “Precisamos formar as pessoas e a própria mulher para ter segurança de ocupar esses espaços. Isso passa pela educação e pela conscientização, tanto (no combate ao) machismo quanto ao racismo estrutural”, explicou.

A candidata avaliou que “tem muito a fazer pelo o que representa sendo uma mulher negra”. Segundo Dora, um de seus objetivos é mostrar para meninas negras que elas também podem ocupar cargos de poder. “Se estou aqui, é porque outras mulheres vieram antes e abriram o caminho. Seria muito bom que as meninas olhassem para mim e percebessem que elas não precisam limitar os seus sonhos”, afirmou. 

Educação integral

Com experiências anteriores na educação, Dora Gomes afirmou que “a educação integral precisa ser modificada urgentemente”. Ela argumentou que esse tipo de educação não é apenas deixar os jovens na escola o dia todo, além disso, é necessário ter um olhar voltado para a juventude. “A escola tem que prover os alunos de tecnologia, de boa alimentação, cultura e esporte para que eles saiam da escola com uma esperança de ter um emprego”, disse. 

Ela sugere uma bolsa de formação para os jovens durante o ensino médio, focando em formação técnica e incentivando o aluno a permanecer no DF. “Nem todos, talvez, vão ter a oportunidade de entrar em uma universidade pública de imediato. Essas pessoas precisam trabalhar. (Com essa bolsa) eles poderiam ter uma garantia de ter um estágio no serviço público para que eles tenham esperança de conseguir trabalhar na própria região”, explicou Dora.

Campo progressista

Sendo de um partido situado à centro-esquerda, o PV, e vice de um candidato filiado ao PT, a candidata comentou sobre a tentativa de unir as candidaturas dos partidos que compartilham o mesmo espectro político. Dora afirmou que lutou muito por essa união. “Diversas conversas aconteceram a respeito disso, exatamente para ganhar força. Mas todo mundo tem o direito de querer ser candidato e montar a sua chapa”, disse. 

Dora explicou que, no cenário político do DF, a esquerda se uniu principalmente na Federação Esperança, composta pelos partidos PT, PV e PCdoB. Além disso, o espectro político conta com a coligação com o PDT e com a Rede e o PSol. Entretanto, definiu que o Partido Socialista Brasileiro (PSB) “acabou ficando solitário”. “Achamos que com a atual força, o dano talvez seja menor, mas a união seria o ideal”, ressaltou.

Recentes pesquisas eleitorais apontam uma grande rejeição ao PT aqui no DF. Sobre isso, Dora disse que “é necessário uma conscientização do eleitorado” e que “é importante saber separar os partidos das pessoas”. “Focar somente em partido não mostra a realidade. Muitas vezes, a ideologia partidária não vai interferir na sua forma de governar”, disse. 

Ela comentou que há uma tendência de guardar somente as coisas ruins. “Existem coisas boas dos dois governos de esquerda no DF. Assim como nos últimos oito anos, a gente vê um GDF destruído e isso não foi obra do governo do PT. Daqui a oito anos, as pessoas também vão rejeitar esses partidos que estão no poder. É natural do ser humano isso”, pontuou.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Ed Alves/CB/D.A Press