Logo na chegada ao Correio Braziliense para participar do debate, a governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), disse que estava preparada para ser alvo dos adversários. “Espero cinco contra uma novamente”. E foi o que aconteceu. No segundo bloco, em que cada candidato fez pergunta a um adversário escolhido, a governadora alegou ter sofrido preconceito de gênero ao responder uma pergunta do candidato José Roberto Arruda (PSD).
“Há um preconceito contra as mulheres. Eu tenho feito muita coisa, mas todas as minhas boas ações, o candidato Arruda fala que foram ideias dele”, disse Celina durante uma pergunta ao opositor. A candidata perguntou ao adversário o que ele pretende fazer diferente do que fez quando era governador. “Não é uma questão de gênero, você governou junto com Ibaneis, é questão de competência, experiência e saber fazer. Vocês largaram mão e a saúde está no pior momento de sua história”, retrucou Arruda.
Arruda disse que, quando era governador, a saúde era melhor. “Em qualquer unidade de saúde tinha pediatra, clínico geral e ginecologista. Em apenas três anos, construí o Hospital de Santa Maria, com 400 leitos. Passaram-se 16 anos e vocês não construíram mais nenhum. Vou construir os hospitais do Recanto das Emas, de São Sebastião, do Sol Nascente, vou trazer o Hospital de Câncer de Barretos e fazer o Hospital de Cirurgias Eletivas”, respondeu o candidato.
“É preciso botar ordem na saúde e contratar médicos. Já que a senhora copia todas as ideias que eu dou, por que não nomeia profissionais da saúde?”, provocou o candidato.
Ele também criticou a condução do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF) no governo de Celina. “O instituto não é um mal em si, ele pode ser um organismo. O problema é que no seu governo e do Ibaneis, ele foi politizado, não teve controle sobre os gastos, as compras viraram uma bagunça, os profissionais de carreira foram jogados para um canto, entrou gente comissionada, com outros propósitos que não era cuidar da saúde. É preciso botar ordem na saúde, contratar médicos”, afirmou Arruda.
Na tréplica, Celina listou as ações que realizou em favor da saúde no DF. “Eu contratei 20 mil cirurgias e 200 mil consultas para zerar fila que eles deixaram, tirei dinheiro do aniversário de Brasília para contratar 114 médicos para a atenção básica, depois contratei mais 500 médicos. A gente não muda a saúde do dia para a noite, mas é prioridade”, disse a candidata. “Estamos construindo sete novas Upas, cinco delas eu entrego ainda neste ano. Só de reforma nos hospitais, estamos investindo R$ 100 milhões. Toda semana, tem algo sendo entregue. Eu não estou prometendo o que não posso fazer. O Hospital do Recanto das Emas está na segunda laje”, completou.
Celina aproveitou uma oportunidade de questionar Leandro Grass (PT) para abordar o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), recurso da União destinado à saúde, à educação e segurança pública. “Por três vezes, o Governo Federal tentou atacar o maior patrimônio político aqui do DF, o Fundo Constitucional. Das outras vezes, fui pessoalmente ao Congresso e consegui reverter a situação. Agora, mais uma vez. Em um projeto sobre petróleo, entrou a mudança do cálculo do fundo. Em um projeto sobre petróleo, tem a retirada do reajuste do FCDF”, disse a governadora. “Como governador, como você vai trabalhar a imprevisibilidade do reajuste? Como o senhor, no seu governo, depois das três tentativas de tirar o Fundo Constitucional, agirá agora? Vai entrar na Justiça, também, para defender do Fundo Constitucional?”, perguntou.
Grass faz críticas à gestão do FCDF
Leandro Grass saiu em defesa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e criticou a adversária. “O Governo Federal não está acabando com o fundo, reduzindo ou diminuindo. O governo Lula aumentou o Fundo Constitucional. Você (Celina) teve a oportunidade de fazer a melhor saúde do Brasil, educação e segurança também. Você entregou o último lugar no Ideb (Índice de Desenvolvimento de Educação Bástica), maior tempo de espera para exames e cirurgias em todo o país. Aqui, aumentaram feminicídio, roubo, furto e latrocínio”, elencou o candidato do PT. “Inclusive, o seu partido (PP), seus sete senadores, votaram a favor deste projeto. O senador Ciro Nogueira, presidente do seu partido, votou a favor. Aquele Ciro, que é amigo do Vorcaro, que tirou foto com o Vorcaro, que roubou o BRB, votou a favor”, ironizou.
Celina retrucou dizendo que “o Vorcaro é amigo de muita gente, inclusive do líder do PT no Senado”. “O que o senhor precisa falar para a população é que, novamente, o Fundo Constitucional está sob ataque. Novamente, quem faz a defesa do Fundo Constitucional, não são as forças do PT. Somos nós, novamente, que vamos para a Justiça, entrar com uma ação de inconstitucionalidade”, afirmou a governadora. O candidato petista partiu para a ofensiva. “Você e o Ibanes… O seu governo… Teve R$ 5 bilhões de rombo e quer falar sobre contas. O seu ex-presidente, Jair Bolsonaro (PL), que está preso, pai do Flávio, que você apoia, que recebeu dinheiro do Vorcarco, entregou o último ano de governo com o FCDF em R$ 16 bilhões. Lula entregou R$ 28 bilhões. O Brasil voltou a crescer. No seu governo, a conta está no vermelho”, disse Grass.
Os temas “saúde”, “segurança” e “educação” foram escolhidos por Kiko Caputo (Novo) para se dirigir a Ricardo Cappelli (PSB). Caputo sugeriu que Goiás sempre esteve na “rabeira” do DF. “Nossa saúde pública era muito pressionada porque as pessoas de Goiás vinham se tratar aqui. (…) Hoje, o que vemos é a saúde pública na UTI, a escola no último lugar do Ideb e a segurança pública com essa sensação horrorosa, ao contrário de Goiás, que tem 80% das escolas em tempo integral, uma segurança pública de fazer inveja ao Brasil inteiro e uma saúde que está fazendo a turma sair do DF para ir se tratar lá. Isso é só incompetência ou tem outra coisa nisso aí?”, perguntou Kiko.
Cappelli respondeu qualificando a situação no DF como “inaceitável”. “Quando decidi ser candidato a ser governador do DF, decidi morar, durante 18 meses, por uma semana em uma cidade diferente do Distrito Federal. Vou morar nas casas das pessoas que, gentilmente, estão me recebendo. Ando de transporte público e visito os equipamentos públicos. Quando eu comecei a caminhar, me falaram que o problema da saúde no Distrito Federal é que o entorno vinha para cá. Sabe o que eu vi no Gama? Sabe o que eu vi em Santa Maria? Que as pessoas estão saindo daqui e indo ser atendidas no Novo Gama, em Céu Azul, em Valparaíso”, comentou, ao lembrar que o orçamento do DF para a saúde é o maior do Brasil. Cappelli prometeu que, na primeira semana de governo, abrirá processo para a contratação de cinco mil médicos e dois mil enfermeiros. “A gente vai dar um choque de gestão na saúde”, garantiu. Em sua tréplica, Caputo reiterou que o Distrito Federal é a unidade da federação que mais gasta por pessoa com saúde pública no Brasil. “Esse dinheiro está indo para o ralo da corrupção”, disse. “Kiko, fui o interventor federal da segurança pública. Botei ordem na segurança pública, em 8 de janeiro de 2023, e vou fazer uma intervenção na saúde”, respondeu Cappelli.
Saiba o que é o Fundo Constitucional do Distrito Federal:
O Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) é uma transferência financeira anual realizada pelo Governo Federal ao DF para custear serviços públicos essenciais, como segurança pública, saúde e educação. O valor do FCDF em 2026 foi de aproximadamente R$ 28 bi. Previsto na Constituição de 1988, o fundo é uma compensação pelos custos adicionais que Brasília assume por abrigar os escalões mais altos do Executivo, Legislativo e Judiciário, além das embaixadas estrangeiras.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press











