Pesquisadores tentam desvendar os segredos do envelhecimento saudável

Estudo mostra que fatores genéticos e influências ambientais interagem continuamente ao longo da vida de uma pessoa

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Um novo estudo liderado por pesquisadores do King’s College London demonstra que fatores genéticos e influências ambientais interagem de forma contínua ao longo da vida. A pesquisa, publicada na revista Science, é considerada o estudo molecular mais abrangente sobre envelhecimento até o momento.

A equipe observou como múltiplas variantes genéticas moldam o processo de envelhecimento. Pesquisadores identificaram diferentes padrões de mudança em participantes com um gene ligado ao envelhecimento cardíaco, o CXCL9. Também foi descoberto que os níveis do gene supressor de tumor TP53 diminuíram em certas pessoas com o passar do tempo, o que pode alterar o risco de câncer.

Essas alterações biológicas podem indicar tanto exposições ambientais distintas quanto uma predisposição genética a doenças. A identificação de indivíduos com maior risco abre caminho para futuras intervenções de saúde direcionadas e em estágios iniciais.

A pesquisa evidenciou ainda correlações entre exposições ambientais e a evolução dos perfis moleculares. Um exemplo é a variação nos níveis sanguíneos de PFAS, conhecidos como “químicos eternos”. Isso mostra como medidas de saúde pública focadas em riscos ambientais podem gerar impactos em nível molecular.

Rotas individuais de envelhecimento

O envelhecimento molecular é um processo que envolve o acúmulo de danos celulares e alterações químicas em moléculas como DNA e proteínas. Com o tempo, essa progressão leva a uma deterioração da função dos tecidos e a um risco elevado de doenças como câncer e distúrbios cardiometabólicos e neurodegenerativos.

O estudo mostra que, em vez de um roteiro único, as pessoas seguem trajetórias biológicas distintas. Dois indivíduos saudáveis da mesma idade podem envelhecer de maneiras muito diferentes em nível molecular, o que possibilita abordagens mais personalizadas para prever riscos e manter a saúde.

Para chegar a essa conclusão, a equipe mediu, ao longo de oito anos, os níveis de RNA no sangue, a atividade de cerca de 16.000 genes e centenas de metabólitos em 335 pessoas. Alguns participantes apresentaram alterações moleculares marcadamente diferentes e, por vezes, opostas.

Os resultados sugerem que o envelhecimento humano não é um processo uniforme, mas dinâmico e dependente do ambiente. Compreender as trajetórias individuais pode ajudar a distinguir o envelhecimento saudável dos estágios iniciais de doenças, permitindo intervenções mais precoces e contribuindo para o desenvolvimento da medicina de precisão.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

Fonte Correio Braziliense
Foto:  Freepik