Síndrome metabólica pode elevar risco de morte por câncer

Estudo com mais de 200 mil pacientes associa alterações como hipertensão, glicemia elevada e gordura abdominal a maior mortalidade por tumores de mama e próstata

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Pacientes diagnosticados com câncer de mama ou próstata e que também sofrem de síndrome metabólica têm um risco maior de morte, segundo um estudo publicado na revista Nature com 200.604 pessoas. Entre as mulheres, a condição esteve associada a uma probabilidade aproximadamente duas vezes maior de óbito por qualquer causa. 

A pesquisa avaliou 104.599 mulheres com câncer de mama e 96.005 pacientes com tumor de próstata. A síndrome metabólica estava presente em 28% das participantes do sexo feminino e em 31% dos homens. “A síndrome metabólica não é uma doença isolada, mas um conjunto de alterações que tendem a ocorrer simultaneamente. Quando estão presentes, o organismo passa a funcionar em um contexto de maior resistência à insulina e de mudanças metabólicas que podem afetar diferentes sistemas”, explica a endocrinologista Deborah Beranger, do Rio de Janeiro. 

Segundo especialistas, as alterações metabólicas podem acompanhar o paciente durante o tratamento oncológico e se somar a outros fatores que interferem na saúde. O oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, diz que esse quadro pode impactar no ambiente em que o câncer se desenvolve. “As alterações metabólicas podem influenciar o ambiente ao redor do tumor, a resposta ao tratamento e a capacidade do organismo de lidar com a doença, contribuindo para um pior prognóstico em alguns tipos de tumores”, afirma.

A associação observada pelos pesquisadores não se limitou à mortalidade por qualquer causa. Também foi identificado um risco maior de óbito especificamente pelo câncer. Entre as pacientes com tumor de mama, a síndrome metabólica esteve relacionada a um risco 30% mais elevado. Nos homens com câncer de próstata, o aumento foi de 32%.

A combinação de fatores associados à síndrome metabólica, como hipertensão, colesterol alto e glicemia alterada, pode provocar uma série de alterações no funcionamento do organismo. Entre elas, estão inflamação persistente e resistência à insulina, além de mudanças hormonais 

O estudo também encontrou associação entre a síndrome metabólica e a mortalidade por outras causas. Nas pacientes com câncer de mama, a condição esteve relacionada a mais que o dobro do risco de morte por problemas cardiovasculares específicos. Entre os homens com tumor de próstata, houve associação com maior risco por doenças do coração e acidente vascular cerebral, além de insuficiência hepática.

Para os especialistas, o controle dos fatores metabólicos não substitui o tratamento contra o câncer, mas pode complementar a assistência. “Tornar-se metabolicamente saudável por meio de mudanças no estilo de vida pode melhorar as chances de sobrevivência de quem já tem câncer. Há várias formas de reduzir os fatores de risco metabólicos, permitindo que os pacientes participem mais ativamente do cuidado com a própria saúde”, afirma Ramon Andrade de Mello. 

Fonte Correio Braziliense
Foto: PixHere/Divulgação