Rede de escravidão digital e crimes de ódio é alvo de operação em 5 estados

Segunda fase da Operação Lívia cumpre 12 mandados no DF e em quatro estados; investigação foca em grupos virtuais que induziam jovens à automutilação e ao suicídio

7

Uma rede criminosa que atuava em ambientes virtuais, praticando crimes de ódio, misoginia, crueldade contra animais e coerção de crianças e adolescentes, é alvo da segunda fase da Operação Lívia, realizada nesta terça-feira (15/9). Ao todo, estão sendo cumpridas 12 medidas judiciais — sendo seis mandados de busca e apreensão domiciliar e seis ordens de busca envolvendo menores de idade — no Distrito Federal e nos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ação é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab/Senasp), e executada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) em atuação integrada com as polícias civis dos demais estados envolvidos e do DF.

A nova etapa decorre da análise do material apreendido na primeira fase da operação, que permitiu aos investigadores identificar administradores e moderadores de comunidades virtuais fechadas dedicadas a chantagear, coagir e violentar psicologicamente alvos vulneráveis.

As investigações que deram origem à operação começaram a partir da morte de uma adolescente de 13 anos, chamada Lívia, que tirou a própria vida após sofrer coerção e chantagens de grupos na internet. O caso revelou a prática da chamada “escravidão digital”, na qual os suspeitos exerciam controle e chantagem sobre as vítimas, exigindo o cumprimento de desafios de automutilação sob ameaças graves.

De acordo com a delegada da PCMS Anne Karine, a articulação entre as corporações estaduais e o Ministério da Justiça busca desmantelar totalmente essas estruturas e socorrer novos alvos. “A segunda fase da Operação Lívia demonstra que a atuação integrada das forças de segurança é fundamental para enfrentar estruturas criminosas que se valem do ambiente digital para explorar a vulnerabilidade de crianças e adolescentes”, ressalta a delegada.

Além da apreensão de novos equipamentos para instruir os processos criminais, as autoridades atuam para localizar e resgatar jovens que estejam sob chantagem dessas redes, encaminhando-os para o sistema de proteção social e de saúde.

O Ministério da Justiça orienta os pais e responsáveis a manterem vigilância constante sobre as interações de crianças e adolescentes em fóruns e aplicativos de mensagens, comunicando qualquer suspeita às delegacias especializadas em crimes cibernéticos.

Fonte Correio Braziliense
Foto: