Meninas e meninos têm atenção diferente desde o nascimento, aponta estudo

Yumnah Khan, estudante de doutorado da Universidade de Cambridge e pesquisadora principal do estudo, afirmou que as pesquisas recentes também mostraram que, em média, diferenças entre os sexos estão presentes na estrutura cerebral ao nascimento

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Um estudo liderado pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e publicado, ontem, na revista Biology of Sex Differences, investigou a diferença entre recém-nascidos do sexo masculino e feminino. Segundo a pesquisa, durante anos, a ciência tem demonstrado que as meninas, em média, aprendem a falar mais cedo e desenvolvem habilidades sociais mais rapidamente do que os meninos. Os especialistas debatem há muito tempo se essas diferenças se devem à cultura ou à biologia.

Um estudo da Universidade de Cambridge, publicado em 2000, descobriu que, em média, as meninas, ao nascer, olhavam para rostos por mais tempo, enquanto os meninos focavam em objetos por um período mais longo. Desde então, cientistas da área têm tentado reproduzir esse estudo.

Para o novo trabalho, bebês foram expostos a vídeos lado a lado contendo um estímulo social, ou seja, um rosto humano com movimentos naturais, e um objeto não social, no caso, um conjunto de bolas metálicas oscilando devido à gravidade e às suas propriedades mecânicas — um pêndulo de Newton.

A equipe descobriu que, independentemente do sexo, os bebês recém-nascidos geralmente preferiam olhar para o estímulo social. No entanto, em média, as meninas passavam uma proporção maior de tempo olhando para o estímulo social em comparação com os meninos, que passavam uma proporção maior de tempo olhando para o pêndulo.

Como o teste foi feito poucas horas após o nascimento, antes que que grandes experiências baseadas em gênero tenham acontecido, é provável que fatores biológicos pré-natais que diferem entre os sexos durante a gravidez, como níveis hormonais e genética, contribuam para as diferenças médias observadas pelos cientistas.

Yumnah Khan, estudante de doutorado da Universidade de Cambridge e pesquisadora principal do estudo, afirmou que as pesquisas recentes também mostraram que, em média, diferenças entre os sexos estão presentes na estrutura cerebral ao nascimento e emergem no período pré-natal. Este novo estudo nos mostra que não existem apenas diferenças médias entre os sexos no cérebro, mas também na atenção e no comportamento.”

Atualmente, um estudo da equipe está em andamento para descobrir se essas distinções sexuais precoces contribuem para diferenças posteriores no cérebro e no comportamento das crianças. Os pesquisadores esperam que, ao entender as origens das discrepâncias, a ciência possa compreender melhor a neurodiversidade e condições como o autismo, cujo diagnóstico é cerca de duas vezes mais frequente em meninos.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Magnific