Nova geração de caneta emagrecedora promove perda de até 25% do peso

Segundo o estudo, em 80 semanas, 47% dos participantes que receberam 12mg da substância perderam pelo menos 20% do peso inicial, e 31% eliminaram 25%, em comparação com 6% e 3% do grupo placebo, respectivamente

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A terceira geração das “canetas emagrecedoras” melhorou o controle da glicemia e promoveu um emagrecimento de até 25% do peso corporal inicial em pessoas com sobrepeso ou obesidade e diabetes tipo 2, segundo um estudo publicado na revista The Lancet.

A pesquisa também será apresentada na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, Itália. Segundo Juan Pablo Frías, coautor do artigo e diretor médico do Instituto de Pesquisa Metabólica de Los Angeles, nos Estados Unidos, esses pacientes, em geral, têm mais dificuldade de perder gordura comparado a pessoas com índice de massa corporal (IMC) elevado, mas sem a doença crônica. 

A retatrutida, da fabricante Eli Lilly, é um medicamento experimental com tripla ação. Assim como a semaglutida (substância do ozempic, weygov e ozivy, por exemplo), ela imita a função natural do GLP-1 e, da mesma forma que a tirzepatida (o mounjaro), ativa os receptores do GIP. A diferença é que a droga também é agonista do glucagon, um hormônio produzido pelo pâncreas que eleva os níveis de açúcar no sangue e atua diretamente no aumento do gasto energético. Atualmente, é estudada para tratamento de obesidade, diabetes 2 e complicações associadas ao excesso de peso, como doenças cardiovasculares, doença hepática metabólica, osteoartrite do joelho, dor lombar crônica e apneia obstrutiva do sono (AOS). 

No estudo publicado ontem, os autores avaliaram a eficácia e a segurança da retatrutida em adultos com sobrepeso ou obesidade e diabetes tipo 2 em centros médicos e hospitais de oito países, incluindo o Brasil. Os 2.047 participantes tinham mais de 18 anos e IMC acima de 27 kg/m². Todos eram pacientes de diabetes 2. 

Os pesquisadores dividiram os participantes em quatro grupos para receber injeções semanais de placebo ou de retatrutida nas doses de 4mg, 9mg ou 12mg, além de aconselhamento nutricional e orientações sobre atividade física. Na 80ª semana, a variação de peso em relação ao início do estudo, conforme a dosagem, foi de -11,9%, -16,8%, -18,8%. Já no grupo de controle, houve redução de -5,1%. 

Avanço

Segundo o estudo, em 80 semanas, 47% dos participantes que receberam 12mg da substância perderam pelo menos 20% do peso inicial, e 31% eliminaram 25%, em comparação com 6% e 3% do grupo placebo, respectivamente. Além disso, 72% atingiram um nível de HbA1c (que mede o açúcar no sangue) de 6,5% ou inferior, em comparação com 29% no controle. “Existe uma necessidade não atendida de uma redução de peso mais eficaz em indivíduos com obesidade e diabetes tipo 2. Os resultados sugerem que a retatrutida pode representar um avanço no tratamento da obesidade e de diabetes tipo 2, uma população na qual a redução de peso tem sido um desafio”, escreveram os autores, em nota. 

A endocrinologista Alessandra Rascovski, diretora médica da clínica Atma Soma (SP), ressalta que o artigo relata efeitos adversos, principalmente gastrointestinais. No grupo da retatrutida, 27-34% dos participantes sofreu de diarreia, e 14-28% náusea. “Isso reforça a importância da titulação gradual e da individualização do tratamento”, argumenta. 

Para a especialista, à medida que as canetas ficam mais potentes, é preciso mudar o conceito de sucesso do tratamento. “O objetivo não é necessariamente levar todo paciente à maior dose ou à maior perda de peso possível. É encontrar a dose que produza benefício metabólico e uma perda de peso clinicamente adequada, mas que seja bem tolerada e sustentável no longo prazo.” 

Rascovski avalia que, ao atuar simultaneamente sobre dois dos principais componentes da diabetes tipo 2 — a disfunção do tecido adiposo e a resistência à insulina, e o controle inadequado da glicose —, os resultados apontam para uma intervenção mais profunda e precoce da doença. “Há um potencial de ir muito além da perda de peso, mas ainda é cedo para afirmar que a retatrutida modifica, definitivamente, o curso da diabetes tipo 2. Para isso, precisamos dos estudos de longo prazo e, principalmente, de desfechos cardiovasculares e renais”, explica.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Wikimedia Commons/Divulgação