Pedra nos rins: 6 hábitos do dia a dia que aumentam o risco sem você perceber

Médico explica como pouca água, excesso de sal e outros comportamentos podem favorecer a formação de cálculos renais

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A pedra nos rins pode começar a se formar sem dar nenhum sinal. Em muitos casos, o problema só é percebido quando o cálculo se movimenta pelo trato urinário e provoca a conhecida cólica renal, que pode ser bastante intensa.

Embora fatores genéticos e algumas condições de saúde também influenciem a formação dos cálculos, hábitos cotidianos podem contribuir para aumentar o risco — e alguns deles são tão comuns que passam despercebidos.

Para o urologista Nelson Batezini, a hidratação e a alimentação têm papel importante na prevenção, mas não são os únicos fatores que precisam ser considerados. “A formação de cálculos urinários depende de vários fatores. Existe uma predisposição individual, mas hábitos como baixa ingestão de líquidos e consumo excessivo de sal podem favorecer a concentração de substâncias na urina e aumentar o risco de formação das pedras.”

Abaixo, veja os hábitos que podem aumentar o risco de desenvolver pedras nos rins.

1. Beber pouca água

Esse é um dos principais hábitos associados ao risco de cálculo renal. Quando a ingestão de líquidos é insuficiente, a urina fica mais concentrada. Com menos água para diluir determinadas substâncias, aumenta a possibilidade de formação de cristais que podem se agrupar e formar os cálculos.

A necessidade de água não é exatamente igual para todas as pessoas. Clima, atividade física, alimentação e condições de saúde influenciam a quantidade necessária. “Mais importante do que seguir uma quantidade fixa para todo mundo é evitar uma hidratação insuficiente. Pessoas que transpiram muito, trabalham em ambientes quentes ou praticam atividade física intensa precisam ter atenção especial à reposição de líquidos”, explica Nelson Batezini.

2. Exagerar no sal

O excesso de sódio na alimentação também pode favorecer a formação de determinados tipos de cálculo. Alimentos ultraprocessados, embutidos, salgadinhos, temperos prontos e refeições com excesso de sal podem fazer com que a ingestão de sódio ultrapasse facilmente o recomendado.

“Uma alimentação muito rica em sódio pode aumentar a eliminação de cálcio pela urina, o que pode contribuir para a formação de cálculos em pessoas predispostas”, afirma o urologista.

3. Comer proteína animal em excesso

Carnes, especialmente quando consumidas em grandes quantidades e dentro de uma alimentação desequilibrada, também merecem atenção. O consumo elevado de proteína animal pode alterar a composição da urina e favorecer condições associadas a determinados tipos de cálculo.

No entanto, isso não significa que seja necessário eliminar carne da alimentação. A questão está no excesso e no equilíbrio da dieta.

4. Exagerar em alimentos ultraprocessados

O problema aqui não está em um alimento isolado, mas no padrão alimentar. Produtos ultraprocessados frequentemente concentram grandes quantidades de sódio e podem contribuir para uma alimentação com excesso de calorias e menor variedade de alimentos. Além disso, alguns padrões alimentares podem favorecer ganho de peso e alterações metabólicas que também estão associados a maior risco de cálculos renais.

5. Segurar a urina por longos períodos

Segurar a urina ocasionalmente não significa que uma pedra será formada. Mas transformar isso em um hábito não é recomendado. A principal preocupação é que o comportamento pode estar associado a uma rotina em que a pessoa também bebe pouca água ou passa muitas horas sem ir ao banheiro.

“Não existe uma relação simples de causa e efeito entre segurar a urina e formar uma pedra. Mas, quando isso faz parte de uma rotina de baixa hidratação e longos períodos sem urinar, vale rever o hábito”, esclarece Nelson Batezini.

6. Ignorar o histórico familiar

Esse talvez seja o fator menos perceptível, porque não depende de uma escolha feita diariamente. Pessoas com familiares próximos com histórico de cálculos renais podem apresentar maior predisposição. Além disso, quem já teve uma pedra tem risco aumentado de apresentar novos episódios.

Por isso, depois de um primeiro cálculo, a prevenção passa a ser ainda mais importante. “Quem já teve cálculo renal não deve simplesmente esperar que o problema aconteça novamente. Dependendo do tipo de pedra e do histórico do paciente, podemos investigar a composição do cálculo e fatores presentes na urina para orientar medidas preventivas mais específicas”, explica o especialista.

Nem toda pedra nos rins é igual

Os cálculos renais não são todos formados pelas mesmas substâncias. Existem diferentes tipos, e as causas e estratégias de prevenção podem variar. Por isso, copiar dietas ou retirar alimentos aleatoriamente da alimentação não é uma boa estratégia. A orientação depende do histórico do paciente, do tipo de cálculo e de outros fatores de saúde.

A atenção também deve aumentar diante de sintomas como dor intensa nas costas ou na lateral do abdômen, dor que pode irradiar para a virilha, sangue na urina, náuseas e vômitos. Febre associada a esses sintomas merece avaliação médica rápida, pois pode indicar uma infecção urinária associada à obstrução.

A prevenção começa na rotina

Não existe uma fórmula única capaz de impedir todos os casos de cálculo renal. Mas manter uma hidratação adequada, moderar o consumo de sal, ter uma alimentação equilibrada e investigar episódios anteriores pode reduzir riscos em muitas pessoas.

Para quem já apresentou pedra nos rins, a prevenção merece atenção individualizada, especialmente porque a formação de novos cálculos pode estar relacionada a características específicas do organismo.

“A pedra nos rins muitas vezes é resultado da combinação entre predisposição e ambiente. Não é preciso esperar uma cólica renal para começar a cuidar da saúde urinária. Hidratação adequada, alimentação equilibrada e acompanhamento médico quando existe histórico de cálculo podem fazer parte de uma estratégia de prevenção”, finaliza Nelson Batezini.

Fonte Redação EdiCase
Foto: Pixel-Shot | Shutterstock