Brasília vai ter dois Carnavais em 2023

Para compensar os dois anos sem bloquinhos, o Carnaval do DF será feito tanto em fevereiro quanto no aniversário da capital

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Se por dois anos, os brasilienses não puderam ir nos seus tradicionais bloquinhos de Carnaval, em 2023, a folia será dobrada aqui na capital federal. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (SECEC/DF) confirmou que serão feitas programações tanto em fevereiro quanto no Aniversário de Brasília.

A população poderá desfrutar dos bloquinhos de rua que vão voltar a animar a cidade durante a época do feriado que, em 2023, ocorrerão nos dias 20 e 21 do mês que vem. Desde 2020, as celebrações foram suspensas por conta da pandemia de covid-19, o que abre a expectativa de grandes festejos para espantar a saudade do Carnaval do DF.

Os famosos bloquinhos são organizados desde a década de 70, e as suas animações fizeram com que Brasília se tornasse um dos principais polos carnavalescos do país. Segundo projeções do Governo do Distrito Federal (GDF), em 2019, último ano em que as festas foram realizadas, 1,2 milhões de foliões foram se divertir nas ruas.

As escolas de samba vão voltar a desfilar

O Carnaval de 2023 também será marcante por conta do retorno dos desfiles às escolas de samba de Brasília, que vai ser realizada novamente no Aniversário de Brasília. O último torneio aconteceu em 2014, sendo interrompido por nove anos por conta da falta de verbas governamentais destinadas para as agremiações.

O retorno dos desfiles foi possível graças ao empenho da SECEC/DF, que trabalhou desde o ano passado no projeto “Escola de Carnaval” para dar suporte às agremiações e permitir que a competição pudesse voltar para o calendário cultural da cidade.

“Nós instituímos o projeto Escola de Carnaval assim que vislumbramos a possibilidade do retorno do evento. Fizemos um investimento de quase R$ 5 milhões em editais de chamamento público, fora o Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Então, neste ano, nós vamos realizar um carnaval diferenciado”, disse o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues.

Durante o anúncio da volta dos desfiles, Bartolomeu destacou que as escolas de samba não são apenas importantes para o andamento das festividades, como também são essenciais para a prestação de serviços para as comunidades da cidade. “É uma rede tão ampla que envolve desde a costureira até o passista”, observou.

Uma novidade para o retorno é que o sambódromo será no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte), e não no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson, onde a competição foi realizada de 2012 até a última edição de 2014.

A ansiedade pelo batismo do novo antro dos desfiles carnavalescos é alta, e a expectativa da SECEC é que a antiga Funarte se consolide como um espaço de destaque entre as competições de escolas de samba. “Vamos fazer no Eixo Cultural Ibero-americano o sambódromo mais bonito do país, para que se faça um desfile de gala, para que o Carnaval das escolas de samba ressurja como uma fênix”, afirmou o chefe da Cultura do DF.

Maior campeã revela expectativa por retorno

A tradição dos desfiles das escolas de samba do DF é mais antiga do que muitos brasilienses imaginam. A primeira competição foi realizada em 1962, dois anos após a inauguração da nova capital federal. Grande parte da história de Brasília e do país foram contadas por sambistas, mestre-salas, baterias e fantasias que trouxeram lembranças nostálgicas para diversas gerações de moradores.

A última campeã do carnaval brasiliense foi a Acadêmicos da Asa Norte, que foi tricampeã consecutiva em 2014, conquistando o seu oitavo título na história dos desfiles do DF. Porém, a maior vitoriosa é a Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (ARUC), que faturou 31 dos 49 campeonatos disputados.

A expectativa do retorno na sede da escola de samba do Cruzeiro é grande, com o samba-enredo já sendo definido pela comissão carnavalesca. Porém, segundo o presidente da agremiação, Rafael Fernandes, ainda resta um ato de comprometimento mais sólido por parte do GDF, para que, desta forma, os sambistas possam avançar na preparação pela 32º conquista.

“A gente tem dado um voto de confiança para o GDF acreditando que agora volte em 2023, baseado muito no que foi o Escola de Carnaval, um projeto de capacitação e mobilização dos componentes. […] A gente ainda aguarda por uma posição mais concreta, de chamar realmente as escolas e definir o formato da competição e o regulamento. A gente quer muito voltar, mas voltar com condições adequadas”, explica.

O presidente da ARUC afirma que a resposta do GDF tem que vir o quanto antes, já que uma grande cadeia produtiva é movimentada para fazer com que a performance saia como o esperado pelos organizadores. Por isso, Rafael defende que o impacto do retorno ultrapassa as barreiras culturais, impulsionando diretamente a economia da capital federal. “A gente tem a contratação de profissionais como serralheiros, carpinteiros. Então, do ponto de vista da economia, gera empregos, além da mobilização da comunidade”, diz.

Perguntado sobre a mudança do local de realização dos desfiles, o líder da maior campeã de Brasília elogiou a ação do GDF. De acordo com ele, o Eixo Cultural Ibero-Americano é um local de fácil acesso do público e favorece a isenção necessária para o torneio.

“No Plano Piloto, a gente considera um território neutro. Foi feito por muito tempo na Ceilândia, mas a Ceilândia é a casa de uma das escolas concorrentes, e a gente entende que tem um certo favorecimento. Como o desfile é uma competição, nada melhor do que um espaço neutro”, observa o presidente da ARUC.

E nessa competição tão importante para a cultura do DF, o público pode esperar por mais um desempenho de gala da escola do Cruzeiro, que sempre esteve ativa apesar da interrupção dos desfiles por quase uma década. Por isso, a agremiação sente “uma obrigação de ir para disputar o título”. “A gente mantém uma atividade mínima, o núcleo da nossa escola de samba nunca se desfez”, conclui Rafael Fernandes.

Por Redação do Jornal de Brasília

Foto: Reprodução Jornal Brasília

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