Suinocultura: fiscalização do GDF garante qualidade do produto final

Técnicas de manejo adequadas influenciam na comercialização do rebanho. Até 40% da carne suína consumida no DF é de produção local

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O Distrito Federal se destaca em diversos setores quando o assunto é produção rural. No caso da suinocultura, a máxima se mantém. A Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri) aponta que o rebanho brasiliense reúne mais de 170 mil cabeças. Destas, a maioria é concentrada em granjas tecnificadas, consideradas de alto nível de biosseguridade.

‌A pasta fiscaliza o manejo animal por meio do Programa de Sanidade Suídea, com o objetivo de impedir a introdução de doenças exóticas e controlar ou erradicar aquelas já existentes no Brasil. A analista de Desenvolvimento e Fiscalização Agropecuária da Seagri, Luciana Lana Rigueira, afirma que são realizadas vistorias nas granjas, que consistem em visitas nas propriedades rurais e inspeção clínica dos animais.

“Nas granjas tecnificadas, avaliamos a biosseguridade em geral, como, por exemplo, se tem o isolamento adequado para não permitir a entrada de patógenos e impedir a circulação dentro da granja entre um animal e outro”, observa Rigueira. “Nas produções de menor escala, além de fazer a vistoria, damos orientações aos produtores rurais sobre as boas práticas de manejo, desde cuidados com a higiene ao não fornecimento de alimentos de produtos de origem animal aos suínos, que pode incorrer no aparecimento de doenças”.

Os esforços visam evitar as doenças listadas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que se caracterizam pelo grande poder de difusão, consequências sanitárias e econômicas graves e repercussão no comércio internacional. O DF é livre da peste suína clássica (PSC), conforme foi demonstrado por um inquérito realizado pela Seagri em 2022. A avaliação faz parte do Plano Integrado de Vigilância de Doenças dos Suínos, coordenado pelo Ministério da Agricultura.

‌Referência

O desenvolvimento da cultura no DF é considerado uma atividade de extrema importância econômica, conforme explica o secretário-executivo de Agricultura, Rafael Bueno. “Temos um olhar muito especial para a suinocultura, uma vez que essa atividade é uma fomentadora de geração de emprego, já que precisa de muita mão de obra, tanto na condição e manejo dos animais na granja, como em outras cadeias que são indiretamente relacionadas à atividade”, diz ele.

Exemplo disto é a Granja Miunça, pertencente à Hartos Agropecuária Cenci, uma das grandes produtoras do país. A fazenda localizada no Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF) gera emprego e renda para toda a região. “A suinocultura é uma atividade contínua. Somos uma granja que emprega 70 pessoas, entre homens e mulheres, sendo que pelo menos metade reside aqui mesmo na fazenda”, afirma o proprietário da produtora, Alexandre Cenci.

Além disso, a Granja Miunça foi a primeira do país a conquistar a segurança de produção necessária para o desenvolvimento dos animais independente da situação externa. Desta forma, está autorizada a vender os produtos mesmo que um surto atinja uma cidade, estado ou o Brasil inteiro e o comércio seja bloqueado ou suspenso por outros países e autoridades competentes.

Consumo

“O nosso trabalho é voltado para levar conhecimento sobre a sanidade do animal, higiene das instalações, para que, futuramente, possam consumir carne saudável”Alessandro Rangel, gerente de Desenvolvimento Agropecuário da Emater

Os cuidados com biossegurança são fundamentais para viabilizar o comércio do produto. Cerca de 40% da carne suína in natura e processada consumida pelos brasilienses são produzidos no próprio DF. O restante é oriundo de outros estados e induzido no mercado local por grandes empresas nacionais. Além disso, do total que é produzido aqui, até 70% é absorvido pelo mercado local.

“Admitindo as variações sazonais, considerando também o Entorno e, em termos de produções tecnificadas, existem entre 13 e 15 mil matrizes alojadas no DF (leitoas aptas para reprodução). Essa quantidade é capaz de colocar no mercado, semanalmente, cerca de 5,5 mil cevados, que são os porcos gordos prontos para o abate”, explica o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Distrito Federal (DFSuin), Josemar Medeiros.

‌O suinocultor opera em dois mercados: o de suínos, para a venda dos produtos, e o de grãos, em que adquire a alimentação do rebanho. “Nos dois mercados, há dependência da dinâmica dos preços internacionais. Ora podemos ter prejuízos, em que pagamos para produzir. Ora podemos ter lucros bastante aceitáveis”, pontua.

‌De acordo com o representante, tem sido observado um crescimento permanente no setor. “Nos últimos dois anos, tivemos uma alta constante de 5% a 7% na produção do DF. Devemos ter redução neste ano, de 3% a 4%, mas, ainda assim, mostra que estamos firmes e em desenvolvimento”, esclarece Medeiros. “Aqui no DF, temos um ambiente institucional e organizacional muito bem estruturado. Nós, suinocultores, estamos muito satisfeitos com a capacidade de resposta da Câmara Setorial de Suínos e do governo com as demandas do setor. Em relação aos outros estados, temos uma condição diferenciada”, ressalta.

‌Capacitação

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) mantém um programa voltado aos pequenos produtores, com o intuito de fornecer orientações técnicas de produção e manejo. Os temas são tratados em visitas técnicas, cursos, capacitações, reuniões técnicas e mais.

Segundo o gerente de Desenvolvimento Agropecuário da Emater, Alessandro Rangel, os atendimentos visam evitar o surgimento de doenças e garantir um produto apto para consumo. “Atualmente, os pequenos produtores podem ter até três matrizes por propriedade, ou seja, é uma produção para consumo próprio. O nosso trabalho é voltado para levar conhecimento sobre a sanidade do animal, higiene das instalações, para que, futuramente, possam consumir carne saudável”, avalia.

Por Agência Brasília

Foto: Seagri/ Divulgação / Reprodução Agência Brasília

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