Reservatórios do DF perdem volume d’água e têm os menores níveis em 5 anos

Em dezembro, o reservatório do Descoberto chegou a 58,67% da capacidade, 13% a menos que o registrado no mesmo período de 2022. Chuva abaixo do esperado é responsável pela redução nos volumes de água

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Os reservatórios do Descoberto e de Santa Maria são os mais importantes do Distrito Federal, abastecendo, respectivamente, 64% e 19% da população. Entretanto, em dezembro de 2023, os volumes registrados atingiram os menores níveis dos últimos cinco anos neste mesmo período.

Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (Ana), o Descoberto registrou o volume de 58,67% neste mês; no ano anterior, esse quantitativo foi de 71,80%. No reservatório de Santa Maria, a situação foi ainda mais crítica: 40,68% em comparação com 75,91% em dezembro de 2022.

Isso se deve ao volume atípico das precipitações no DF, de forma que o início do ciclo chuvoso (setembro a novembro deste ano) foi muito abaixo do esperado para o período, conforme indicou a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa). O resultado são as baixas vazões afluentes nos rios que alimentam os reservatórios do Descoberto e de Santa Maria.

No outono de 2023, entre 20 de março e 21 de junho, a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em Brasília, registrou 18 dias com chuva, totalizando 241,9 mm no período. O valor equivale a 94% da média histórica sazonal de 1991-2020, que é de 256 mm, e representa um deficit de 14,1 mm em volume.

“Cabe esclarecer, entretanto, que os sistemas produtores de água do DF passaram por um intenso processo de interligação nos últimos anos, ou seja, a carência de água de um sistema pode ser suprida pelo excedente disponível em outro sistema. Desse modo, não somente os reservatórios do Descoberto e de Santa Maria trabalham de forma intercomplementar, mas também contam com o suporte dos sistemas produtores do Lago Paranoá e do Lago Corumbá IV”, informou a Adasa.

De todo modo, é sempre importante destacar que todas as instituições, órgãos de governo, setores produtivos e, sobretudo, a população devem manter uma postura consciente e responsável em relação ao uso da água, em qualquer momento do ano.

Consumo

A barragem do Rio Descoberto fica às margens da BR-070 e foi inaugurada em 1974, dando origem a um lago de 12,5 km² de área de espelho d’água e capacidade de armazenar cerca de 86 milhões de m³. Já o sistema Santa Maria/Torto/Bananal possui as suas captações situadas dentro do Parque Nacional de Brasília e faz parte das bacias do Paraná e Paranaíba.

Segundo dados de 2022, o reservatório do Descoberto atende aproximadamente 1.200.000 moradores, contemplando as regiões administrativas de Ceilândia, Sol Nascente, Taguatinga, Samambaia, Vicente Pires, Arniqueira, Águas Claras, Candangolândia e Núcleo Bandeirante. Dessas, a que mais consome água é Ceilândia, e a que menos consome é Candangolândia.

A barragem de Santa Maria atende cerca de 730 mil moradores, distribuídos entre Plano Piloto, Lago Sul, Cruzeiro, Sudoeste, SIA, Guará e SCIA/Estrutural. Dessas, a região que mais consome água é o Plano Piloto, enquanto o SIA é a que menos consome.

Previsão do tempo

Até ontem, a quantidade de chuvas registradas em dezembro foi de 100 mm, volume distante do esperado para o mês, 241 mm, conforme informou o Inmet. A expectativa é de que, até o dia 31, as tempestades se intensifiquem, somando até 30mm nesta reta final do ano.

“Chuvas contínuas e bem distribuídas podem contribuir mais para o volume de água dos reservatórios do que chuvas intensas e breves. Porém, essa condição depende de outros fatores, como a temperatura. Quanto mais alta, maior a evaporação e, portanto, menor a contribuição para os reservatórios”, explicou o meteorologista do Inmet Glauco Freitas.

O volume atípico das chuvas se deve à combinação de eventos como o El Niño, caracterizado por alterações significativas na distribuição da temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico, com grandes alterações no clima, provocando, também, recordes de calor.

Por Letícia Mouhamad do Correio Braziliense

Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press / Reprodução Correio Braziliense

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