Sem ação do poder público, população sinaliza entrada de condomínios

Síndicos instalam balizadores e pintam o asfalto em frente a condomínios de Vicente Pires para evitar acidentes

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Há dois anos, moradores de condomínios em Vicente Pires enfrentam dificuldade com veículos estacionados em frente aos residenciais. Há relatos de acidentes por falta de boa visibilidade de motoristas nas ruas 12, 13, 10 e 5. Para evitar esse problema, os síndicos compraram balizadores de sinalização chamando a atenção para o fato de que não é adequado estacionar automóveis no local.

Síndico do Condomínio Veneza, entre as ruas 10 e 12, Milton Chaves, 54 anos, relata que diversos condomínios colocaram balizas na entrada por conta própria porque o governo local não tomou uma atitude. “Os cones custaram R$ 1,8 mil, mais a mão de obra de R$ 300, para a gente poder sair com segurança. Em todas as ruas há essa questão”, afirma.

Segundo ele, uma placa proibindo estacionar e a fiscalização rotineira de agentes do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) ajudaria a melhorar a mobilidade urbana na região. “Não nos foi oferecido nada, nem pelo Detran nem pela administração. Houve acidentes com essa situação. É uma omissão do Estado, que poderia estar mais presente para notificar os infratores. Toda a cidade de Vicente Pires tem esse problema nas saídas”, destaca.

Uma das vítimas na região é o representante comercial Juscielo Alves Vilela, 37. Em junho de 2022, ele saiu do condomínio, pela rua 10, quando se chocou com uma moto em alta velocidade. Ele lembra que o local estava com diversos carros estacionados ao redor, devido ao funcionamento de uma distribuidora de bebidas ao lado. “O motociclista e uma mulher na garupa bateram na minha porta, passaram pelo capô e caíram no chão. Só consegui sair pela porta do passageiro porque a minha estava amassada. Os bombeiros foram chamados, mas tivemos só escoriações”, lembra.

Ele lamenta que os moradores do condomínio tenham que sair devagar para ter visibilidade, devido à quantidade de veículos na frente. “Acredito que fazer uma boa sinalização resolveria bastante. Entramos em contato com o Detran, mas falaram que só podem multar. Ficamos de mãos atadas sem saber qual órgão buscar para resolver essa situação”, desabafa.

Enquanto era atendida na loja, a secretária-executiva Nádia de Freitas, 43, que mora na Rua 5, citou que é comum ocorrerem acidentes na região. “Tanto em prédios, como em condomínios de casas, as saídas não têm faixas pintadas, para impedir que pessoas estacionem no local. Até para entrar dificulta pela volta que tem que dar em torno do veículo estacionado”, reclama.

Estado omisso

Doutor em transportes pela Universidade de Brasília (UnB), Edson Benício reconhece que os condomínios tentam organizar o fluxo de entrada e saída de veículos, o que não consta como crime de trânsito pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). “Os síndicos podem solicitar essa sinalização na própria administração regional e o Detran tem uma gerência de sinalização de trânsito própria para isso. Tem um formulário em que o próprio síndico pode solicitar”, informa.

Segundo Edson, cabe ao Detran definir o melhor tipo de sinalização, horizontal (na pista) e vertical (placas), informando que é proibido estacionar no local. “Houve falha e omissão da administração regional ao não cobrar o Detran-DF. Cabe ao poder público prover a sinalização adequada”, explica.

Ao Correio, o administrador de Vicente Pires, Gilvando Galdino Fernandes, assegurou que não acionou o Detran para fazer a sinalização na cidade, pois alguns síndicos tomaram a iniciativa de fazer a pintura e colocar os balizadores. “Como é uma ação de iniciativa dos síndicos e envolve proteção e prevenção, estamos analisando de forma técnica até onde isso é prejudicial ao direito de ir e vir das pessoas. A garantia de saída e entrada de condomínios era muito arriscada. Hoje, existe uma segurança mínima”, afirma.

Gilvando orienta que os condomínios enviem um pedido de sinalização à administração, que, por sua vez, solicita autorização ao Detran-DF. “Uma forma de a gente resolver seria chamar o Detran e sair multando os veículos, mas a multa não retira o carro dali. As faixas sinalizadoras têm levado esses locais a terem uma certa tranquilidade para quem transita ou mora na cidade”, reconhece.

Em nota, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) informou que vai enviar equipes de fiscalização e engenharia ao local para analisar a colocação dos balizadores. Se for comprovada alguma irregularidade, irá notificar o condomínio para retirada do material. Entretanto, a autarquia não explica como irá resolver o problema geral na cidade.

Por Pedro Marra do Correio Braziliense

Foto: Pedro Marra/CB/D.A. Press / Reprodução Correio Braziliense

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