O empresário José Humberto Pires (MDB) é o convidado do Podcast do Correio, conduzido pelas jornalistas Ana Maria Campos e Adriana Bernardes. O candidato a uma vaga na bancada brasiliense da Câmara dos Deputados explica sobre a decisão de disputar pela primeira vez uma eleição, a experiência na gestão pública e as principais bandeiras que pretende levar para a campanha.
Conhecido por apelidos como Pezão, Planaltão ou Zé das Obras, o ex-secretário de Governo do Distrito Federal acredita que o perfil de gestor faz com que naturalmente pense em soluções para a cidade. “É o hábito de ser gestor, e ter passado 22 anos fazendo gestão dentro de governo. Eu preciso entender que a minha função, eleito, é legislar, fiscalizar, definir o orçamento para onde vai, defender o DF e criar condições”, afirma. “Poucos candidatos a deputado federal tiveram a vivência que eu tive na cidade”, completa.
Com trajetória iniciada na iniciativa privada, Pires conta que começou como empacotador de supermercado e chegou à presidência da empresa em que trabalhava. Ao comparar a iniciativa privada com o serviço público, o candidato afirma que a principal diferença está na relação com quem deve ser atendido. Para ele, enquanto uma empresa privada tem seus clientes, na administração pública o papel do cidadão está no topo da hierarquia. “No caso do serviço público, da função pública, é bem diferente. O patrão é o cidadão. E essa diferença eu senti logo nos primeiros dias de administração”, defende.
Pires também destaca a importância de ouvir as demandas da população e trabalhar em conjunto com os servidores públicos. Para ele, mesmo diante de limitações orçamentárias, o gestor deve buscar soluções para as necessidades mais urgentes das comunidades.
Cinco bandeiras
O candidato emedebista também contou sobre a experiência acumulada nos bastidores de campanhas eleitorais. Segundo ele, esta é a oitava campanha da qual participa, ainda que seja a primeira em que disputa diretamente um cargo eletivo. Pires afirmou que a experiência de pedir votos é diferente da vivenciada quando atuava na coordenação ou no apoio a outros candidatos. “A diferença é muito grande. Eu fiz sete (campanhas) nesse período, ajudando ou coordenando. Quando a gente chega, agora como candidato, o eleitor desconfia”, relata.
Para a candidatura, José Humberto Pires definiu cinco áreas prioritárias: defesa da vida e da família, empreendedorismo, municipalismo, fortalecimento do terceiro setor e habitação. Declarado católico apostólico romano praticante, ele pede maior participação dos fiéis no debate político. “Nossos irmãos evangélicos têm um potencial muito grande e têm conseguido eleger muitas pessoas os representando. A Igreja Católica fica com um pé atrás, não quer entrar na política, não quer falar de política dentro da igreja. Até concordo com isso, mas em algum momento precisamos estar colocando esse assunto”, argumenta.
Outra prioridade será o empreendedorismo, área com a qual afirma ter experiência desde o início de sua trajetória profissional. Ele também pretende direcionar recursos, por meio de emendas parlamentares, para regiões periféricas e áreas que ainda carecem de infraestrutura. O terceiro setor aparece como bandeira. Segundo o candidato, entidades que atuam em áreas como combate às drogas, assistência a idosos e atendimento a crianças precisam de maior apoio. Por fim, ele aponta a habitação como uma das principais preocupações, especialmente pela própria experiência de ter vivido em condições precárias.
Violência contra a mulher
Sobre propostas para combater a violência contra a mulher, Pires ressalta que não basta construir estruturas físicas se elas não estiverem acompanhadas de profissionais qualificados e atendimento adequado. Para ele, a violência doméstica e o feminicídio precisam ser tratados também por meio de ações educativas. “A rede de proteção está muito frágil, a realidade é essa. Tem que encontrar um instrumento que afaste a pessoa que demonstra que vai agredir aquela mulher”, orienta o candidato, que aborda o assunto em palestras realizadas para homens em empresas. “Muitos deles bebem, chegam em casa irritados, e a coisa começa a ficar muito ruim”, lamenta.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press










