Venda de ovos da Páscoa aquece economia no Distrito Federal

Fecomércio estima alta de 18% na comercialização dos produtos este ano, em relação ao mesmo período de 2022. Clientes procuram preços mais em conta e destacam também o caráter religioso da data, que é a confraternização em família

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O clima de confraternização da Páscoa e a retomada econômica vão proporcionar aumento de 18% das vendas este ano em relação a 2022. O comércio também prevê aumento este ano de 20% no valor dos presentes por parte dos consumidores. A previsão é da pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF). Clientes que querem agradar aos familiares e amigos fazem as contas para comprar produtos de chocolate, desde coelhinhos estilizados, e kits de bombons aos tradicionais ovos.

Com dois ovos pequenos, três coelhinhos de chocolate e outro saco com ovos pequenos para o filho de 8 anos e dois sobrinhos, a endocrinologista pediatra Renata Santarém, 41 anos, tem preferido comprar chocolates artesanais para a família, por conta da saúde e da qualidade do produto. “A gente evita os alimentos processados e industrializados, com porções menores para as crianças, justamente porque os ovos têm encarecido em relação ao último ano”, afirma.

A médica, que faz parte das 74% das mulheres que irão presentear alguém nesta data, segundo a Fecomércio-DF, tem o hábito de deixar alguns ovos pequenos pela casa e dar um ovo de tamanho médio para o filho. O foco de Renata é destacar o sentido da data religiosa. “Na minha família, o objetivo da celebração da Páscoa não é a troca de doces, mas enfatizar o significado de se reunir para celebrar o amor em família”, complementa a moradora da Asa Norte.

De acordo com a pesquisa da Fecomércio, lojas de rua ou bairros representam 23,7% dos locais procurados por clientes, o que Renata fez ao ir na Stans Chocolates, na comercial da 407 Sul. O estabelecimento, administrado por Denise Odermatt, 47, tem uma clientela fiel que compra os ovos artesanais e coelhos de chocolate com frequência. Para esta época do ano, ela espera alta de 10% nas vendas dos produtos em relação ao mesmo período de 2022. “Quinta (hoje) e sábado são os dias que vendemos mais, principalmente a quem deixa para última hora”, analisa.

Movimento

A comerciante, que faz parte da maioria dos empresários (65,8%) do segmento que acredita numa Páscoa melhor do que a do ano passado, assegura que a data é a mais importante do ano para o estabelecimento, superando o Dia dos Namorados. “Inclusive, os clientes ficam sempre na expectativa para comprar o ovo artesanal, que preferem em relação aos tradicionais. Em 2022, ampliamos as vendas pelo site e pelo celular, e, em 2023, tenho visto mais clientes na loja, um movimento maior”, conta a empresária.

Segundo o Sindicato do Comércio Atacadista do DF (Sindiatacadista-DF), a expectativa do setor é que as vendas em relação ao ano passado cresçam entre 10% e 15%. De acordo com o presidente da instituição, Álvaro Júnior, as indústrias trouxeram diversas novidades este ano. “São 163 lançamentos para a Páscoa de 2023, com ingredientes, formatos, sabores e combinações de produto diferentes. As indústrias trabalharam com um ano e meio de antecedência para atender todos os consumidores”, afirma Álvaro.

Professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli enfatiza que esta época do ano pode servir de reflexão para lembrar o sentido da data religiosa e ainda poupar dinheiro. “O caráter religioso foi ficando obscurecido em função do apelo comercial e da compulsão em dar presentes, como se fosse uma obrigação. Produzir os ovos em casa ou comprar aqueles artesanais mais saudáveis e fazer o encontro familiar são alguns caminhos para cultivar o lado espiritual”, sugere o especialista, alertando também para riscos de extrapolar o orçamento doméstico.

Para escolher os ovos que mais se adequam ao bolso dos consumidores, Piscitelli aconselha que o correto é fazer uma pesquisa de preços antes de comprar o produto, para participar dos famosos amigolates e almoços. “Além disso, o ovo de chocolate tem o seu charme, e alguns pais querem fazer a alegria dos filhos. Se a pessoa puder fugir um pouco dos grandes mercados e comprar do comércio vizinho, provavelmente seria uma boa oportunidade de conseguir preços mais baratos”, aconselha o especialista.

Para diversificar o cardápio, a chef da Mandiê Doceria, Amanda Figueiredo, oferece sete sabores de ovos nesta Páscoa, de R$ 122 a R$ 198. Alguns deles são o pavlova, sabor morango e suspiros; banoffee, banana caramelizada; honey rocks, ganache chocolate meio amargo. Com loja física na QI7 do Lago Sul, ela administra a empresa desde fevereiro do ano passado, quando ficou desempregada e começou a vender tortas de maçã. Ela atende sob encomenda e retirada na loja, além de ter como clientes alguns cafés da região, que também compram os produtos. A empresária diz que recebeu 278 pedidos agendados para esta semana, e espera atingir 400 entregas.

Quem quer fugir do tradicional, a Mandiê tem ainda as lascas de chocolate saborizadas com banana e castanha do pará; pistache com cranberry, nibs de cacau com nozes pecan e limão siciliano crocante.

Momentos importantes

Cristã, Amanda acredita que é possível manter o sentido da Páscoa, de confraternizar em família. “Isso direciona a minha gestão na empresa. Em datas como Natal e Páscoa, é muito bom ver que o nosso propósito atinge as pessoas. A gente participa de momentos importantes, porque as pessoas encontram avós e outros parentes, o que faz parte desse momento que traz muita alegria”, completa a chef.

As empresárias Anna Caribé e Luciana Marques, sócias da Da Fábrica Pâtisserie, estão animadas com as vendas e criaram uma edição especial com uma releitura dos ovos de chocolate. Elas desenvolveram sabores especiais para atrair o consumidor. “Caramelo com castanha, ninho com Nutella e caramelo com flor de sal, além de castanhas do Brasil — este último foi um grande sucesso na Páscoa de 2022. Mas para este ano, a nossa grande novidade é o ovo com casca de chocolate meio amargo recheado com puxa de pistache. Ele derrete na boca e provoca uma explosão de sabores”, afirma Luciana Marques.

A chef Anna Caribé explica que para o menu de Páscoa 2023 uniu a tradição do ovo, a magia do chocolate, com sabores e texturas inusitadas e sofisticadas. Segundo ela, a inspiração foi baseada na elegância e no estilo clássico. “Pensamos em produtos que causassem um impacto visual e o desejo de experimentar nossas criações, tirando assim o consumidor da sua zona de conforto, levando-o a ousar em uma nova escolha com uma experiência incrível”, relata Anna.

Releituras especiais

Mesmo sabor, novo formato. A Casa Almería, localizada na comercial da 104 sul, em uma operação que reúne padaria, empório, confeitaria, rotisseria e restaurante em um só espaço, fez uma releitura de algumas das principais sobremesas do Almería em versão Ovo de Páscoa. Assinados pela chef Luiza Jabour, são três sabores que resgatam os clássicos do grupo.

Como é o caso do Ovo de Pistache, inspirado no Pudim de Pistache da casa. Com sabor de chocolate com pistache e brigadeiro de laranja, ao valor de R$195. Outra boa pedida é o Ovo Último Suspiro, com chocolate branco e recheio de brigadeiro de framboesa e cumaru, ao valor de R$155. Já o Ovo Cacau ao Cubo leva bandas de chocolate meio amargo cobertas com nibs de cacau e recheio de caramelo salgado, ao valor de R$155. As opções — todas com 350g —  já estão disponíveis para encomendas até 24h antes do domingo de Páscoa. Como os produtos são feitos artesanalmente, a orientação é que sejam consumidos em até cinco dias.

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista-DF), Sebastião Abritta, o consumidor deve gastar mais neste ano em relação ao ano passado. Segundo ele, o movimento deve aumentar até o fim de semana, com 100 mil pessoas no comércio, embora com compras mais econômicas. “Aquelas pessoas que não adquirirem o ovo de Páscoa vão levar uma caixa de bombom ou barras”, exemplifica.

Abritta acredita que as vendas vão ser boas, com alta de 16% a 19% no setor, ainda em recuperação da crise gerada pela pandemia de covid-19. “Superar 2019 acredito que ainda não vai porque o efeito de 2020 foi grande. Mas o novo governo conseguiu colocar o auxílio emergencial em R$ 600, e as pessoas empregadas vão ter recebido o pagamento no início do mês, o que pode impulsionar as vendas”, estima o presidente do Sindivarejista.

Por Correio Braziliense

Foto: Carlos Vieira/CB/D.A. Press / Reprodução Correio Braziliense

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